Família

Após 15 anos na capa do Correio, casal celebra novo capítulo da família

Em 2011, o casal falava sobre casamento duradouro. Hoje, retornam ao Correio para relatar a adoção de Francisco e a construção de uma nova fase da vida

"Não foi apenas uma adoção, foi um encontro de almas", contam Luciene e Márcio - (crédito: Nathallie Lopes/CB.DA.Press)

Em setembro de 2011, o advogado Márcio Prado, 47 anos, e a funcionária pública Luciene Prado, 45, apareciam nas páginas do Correio contando sobre como construir um casamento que dure para sempre. Casados havia dois anos, relataram como diferenças religiosas e de rotina tinham sido transformadas em parceria.

 

Capa do Correio Braziliense de 2011
Capa do Correio Braziliense de 2011 (foto: CB.DA<Press)

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Em junho de 2026, quinze anos depois, o reencontro com aquela reportagem ocorre em um novo capítulo da mesma história: a conclusão do processo de adoção de Francisco Mariano, 8 meses, que reorganizou a vida familiar e consolidou o que já vinha sendo construído ao longo do tempo.

Decisão da adoção

A decisão do casal pela adoção começou a ganhar forma durante a pandemia. Em 2020, Márcio e Luciene entraram na fila de habilitação. O caminho foi longo e atravessado por expectativas e mudanças de planos.

“Entramos no processo sabendo que seria demorado. Foram cerca de cinco anos até a chegada dele”, conta Márcio.

A vida profissional intensa dos dois e a ausência de filhos biológicos já haviam levado a um processo de reflexão. A decisão pela adoção não surgiu como substituição, mas como escolha amadurecida ao longo dos anos juntos. “Tentamos biologicamente, vimos que não queríamos outros métodos e entendemos que a adoção era o melhor para nós”, comenta Prado, completado por Luciene.

A chegada da notícia, no entanto, não seguiu o roteiro esperado. O casal estava na posição 39 da fila quando, em dezembro de 2025, recebeu a ligação da Vara da Infância. A expectativa era por uma criança de até quatro anos. O que veio foi diferente: um bebê de dois meses.

“No primeiro momento foi um susto. A gente esperava só para o meio de 2026”, lembrou Luciene. “De repente, tudo mudou”.

Mudança transformadora

Entre a ligação e a chegada da criança em casa, passaram-se apenas sete dias. A rotina foi reorganizada de forma imediata. Licença maternidade, plano de saúde, documentação e adaptações tomaram conta da semana.

“Foram dias muito intensos. A vida virou de cabeça para baixo”, relatam.

O primeiro encontro ocorreu em 18 de dezembro de 2025. Cinco dias depois, em 23 de dezembro, o bebê já estava em casa com os pais. O tempo curto entre as etapas marcou o início de uma nova fase.

“Naquele momento nós não tínhamos nada preparado. Nem um sapato”, recorda Luciene. “Mas quando ele chegou, tudo fez sentido”.

O encontro com Francisco foi descrito como uma conexão imediata. “Ele abriu um sorrisão quando nos viu”, disse o casal. "Não foi apenas uma adoção, foi um encontro de almas", completa Luciene. 

Além disso, a data trouxe um elemento simbólico. O nascimento de Francisco coincide com o dia do aniversário de casamento do casal. E foi na comemoração de 2025 que o Luciene e Márcio oraram pelo filho que ainda viria. “Foi o único dia em que realmente pedimos a Deus por ele”, conta Luciene. “E ele chegou exatamente naquele dia”.

A experiência de ser pai e mãe, segundo eles, veio de forma rápida e transformadora.

“Ninguém nasce pai. A gente vira pai e mãe. E, no nosso caso, isso aconteceu em uma semana”, afirma Márcio.

A rotina mudou completamente, mas também consolidou a relação. Antes da chegada do filho, a vida a dois já era descrita como estável, dividida inclusive com quatro gatinhos. “Era uma vida tranquila, já completa”, diz Luciene.

Depois da chegada de Francisco, essa percepção se ampliou. “Não tem palavras para descrever. É muito mais do que amor. Ele preencheu a nossa vida de uma forma que a gente não imaginava”, afirma Luciene.

A mudança também reforçou a forma como enxergam o próprio casamento. Para Márcio, a base da relação está na escolha diária. “O relacionamento é escolha. Todo dia. Mesmo com brigas, erros e diferenças, a decisão de permanecer é o que sustenta tudo”, diz. “E hoje tenho certeza de que valeu a pena”.

Luciene concorda: “O Francisco consolidou tudo o que já existia entre nós”.

Futuro e família

A convivência com o filho trouxe também uma nova leitura sobre o tempo e sobre o futuro da família. “A gente já tinha decidido que ia ficar junto para sempre. Ele só confirmou isso”, resume Márcio.

A história de adoção também será compartilhada com o filho no futuro. O casal afirma que não pretende esconder a origem da criança. “Toda criança adotada tem direito à memória”, diz Márcio. “Ele vai saber da história dele no momento certo, com tranquilidade”.

Nova rotina

Hoje, a rotina é marcada por uma nova centralidade. O foco deixou de ser apenas o casal e os pets e passou a incluir o filho como eixo da vida familiar. “Ser mãe é algo que eu não sabia que existia nessa intensidade”, diz Luciene. “É muito maior do que qualquer expectativa”.

Ao olhar para a reportagem do Correio de 2011, o casal deixa mensagens para aquele momento da própria história. “Fica firme aí, porque Deus está preparando uma grande bênção”, diz Luciene.

Márcio completa com outra perspectiva: “Relacionamento é escolha. Vale a pena construir uma vida inteira juntos. E hoje, mais do que nunca, tenho certeza disso”. 

O que começou como uma reportagem sobre casamento duradouro, em 2011, se transformou agora em um retrato de família. Uma história atravessada pelo tempo, pela escolha e pela chegada do pequeno e sorridente Francisco que, segundo o casal, não apenas chegou, mas reorganizou o sentido de tudo o que já existia.

 

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postado em 27/06/2026 06:00
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