
Ao vestirmos a camisa da Seleção, acreditamos que o mundo cabe dentro de 90 minutos. Uma nação inteira compartilha o sonho da vitória sobre todos os outros, às vezes dá certo, outras não.
O Brasil se despediu da Copa, e isso entristece qualquer apaixonado por futebol. Mas é justamente nesses momentos que vale a pena relembrar o motivo pelo qual esse torneio foi criado.
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Há quase um século, Jules Rimet teve uma ideia ousada: reunir nações que tantas vezes se enfrentavam em guerras para que passassem a disputar, diante da bola, aquilo que antes era resolvido pelas armas. Era um projeto profundamente simbólico. O adversário deixava de ser um inimigo. Tornava-se um competidor. O campo substituía o campo de batalha.
Em 2030, a Copa do Mundo completará 100 anos. Um século de histórias, lágrimas, abraços, rivalidades e encontros capazes de aproximar povos que, muitas vezes, sequer compartilham a mesma língua.
Poucos eventos conseguem fazer com que bilhões de pessoas parem para assistir ao mesmo espetáculo e experimentem, ao mesmo tempo, as mesmas emoções.
Foi por isso que, mesmo com a tristeza da eliminação brasileira, fiquei tocada por uma cena que, para mim, diz mais sobre o futebol do que qualquer placar.
Naquele instante em que Vinícius Júnior caminhou para cumprimentar Haaland, não havia apenas um gesto protocolar. Havia reconhecimento. Respeito. A compreensão silenciosa de que o brilho de um não diminui a grandeza do outro. O norueguês é craque e jogou bem, marcou os dois gols e roubou nosso sonho do hexa, mas Vini Jr é gigante, independentemente dos resultados.
Ali estava um dos maiores jogadores do mundo. Vinícius jogou de maneira impecável durante toda a competição, mostrou maturidade, talento e generosidade. E, justamente por isso, soube fazer algo que os verdadeiramente grandes conseguem fazer: celebrar o mérito alheio, mesmo quando ele representa a própria derrota.
Competir não exige desumanizar. Vencer não exige humilhar. Perder não exige ressentimento.
O futebol nos oferece uma metáfora poderosa para a vida. Nem sempre seremos nós a levantar a taça. Haverá dias em que o melhor do outro prevalecerá. E isso não diminui a nossa história, nem apaga o caminho percorrido até ali.
Ao contrário. É justamente a capacidade de continuar admirando a excelência, de reconhecer o talento do adversário e de sair de campo com dignidade que torna uma competição algo bonito de se ver.
Que as nações continuem disputando gols em vez de territórios. Que a paixão permaneça intensa, mas nunca maior do que o respeito. E que, daqui a 100 anos, quando olharmos para trás, possamos dizer que o futebol não apenas consagrou campeões, mas também ajudou a lembrar ao mundo que é possível competir com beleza e humanidade.

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