
Este mês é marcado pela campanha Julho Laranja, iniciativa que busca conscientizar pais e responsáveis sobre a importância da avaliação ortodôntica infantil e do diagnóstico precoce de alterações no crescimento dos dentes e dos ossos da face. Diversos problemas podem ser identificados e tratados ainda na infância, evitando complicações futuras e tratamentos mais longos na vida adulta.
De acordo com a dentista Luísa Elita Casado, a primeira avaliação ortodôntica deve ocorrer por volta dos 6 ou 7 anos de idade, período em que a criança começa a apresentar a dentição mista, com dentes de leite e permanentes convivendo na boca. "Nessa fase, já é possível identificar alterações no desenvolvimento dos maxilares, problemas de mordida e hábitos que podem interferir no crescimento facial. Quanto mais cedo essas condições forem diagnosticadas, maiores são as chances de uma intervenção simples e eficaz", explica.
Segundo a especialista, a respiração bucal é uma das alterações mais comuns observadas durante as consultas e pode impactar diretamente o desenvolvimento da face e a qualidade de vida da criança. Além disso, o problema pode estar associado a distúrbios do sono, como apneia e hipopneia, contribuindo para noites mal dormidas, cansaço excessivo durante o dia, irritabilidade e dificuldades de atenção.
A dentista explica que nem toda criança precisará utilizar aparelho ortodôntico nos primeiros anos de vida. Em muitos casos, o acompanhamento periódico permite apenas monitorar o crescimento e intervir no momento adequado, quando necessário. "O objetivo da ortodontia preventiva não é colocar aparelho em todas as crianças, mas identificar precocemente possíveis alterações e orientar a família sobre a melhor conduta. Em alguns casos, pequenas intervenções realizadas no momento certo podem evitar tratamentos muito mais complexos no futuro", afirma.
Além dos benefícios estéticos, a correção precoce de alterações ortodônticas pode contribuir para uma mastigação mais eficiente, melhor desenvolvimento da fala, respiração adequada e equilíbrio funcional da face.
Para a especialista, o Julho Laranja é uma oportunidade para ampliar o acesso à informação e reforçar a importância da prevenção. "Assim como os pais acompanham o crescimento e a saúde geral dos filhos, o desenvolvimento da arcada dentária e da face também merece atenção. O diagnóstico precoce é um dos principais aliados para garantir saúde bucal e qualidade de vida ao longo dos anos."
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Benefícios da odontologia preventiva
-Prevenção de cáries e doenças gengivais.
-Diagnóstico precoce de alterações no desenvolvimento dos dentes, da mordida e dos ossos da face.
-Redução da necessidade de tratamentos corretivos mais complexos no futuro.
-Maior adaptação da criança ao ambiente odontológico, diminuindo o medo e a ansiedade durante as consultas.
Cuidados com a saúde bucal em cada fase da infância
Primeira infância (0 a 3 anos)
Os cuidados com a saúde bucal começam antes mesmo do nascimento dos primeiros dentes. A higienização das gengivas pode ser feita com gaze ou dedeira umedecida, e a primeira consulta ao odontopediatra é recomendada até o primeiro ano de vida. Nessa fase, também é importante acompanhar hábitos como o uso de chupeta e a sucção do dedo, que podem interferir no desenvolvimento da arcada dentária.
Infância (4 a 10 anos)
Com o início da troca dos dentes de leite pelos permanentes, o acompanhamento odontológico torna-se ainda mais importante. É nesse período que podem ser identificadas alterações na mordida e no crescimento da face, permitindo intervenções precoces quando necessário.
Hábitos prejudiciais
-Uso prolongado de chupeta e mamadeira.
-Chupar dedo ou respirar pela boca.
-Roer unhas ou morder objetos com frequência.
-Dieta composta apenas por alimentos muito macios podem não estimular adequadamente os músculos e os ossos da face.
Problemas ortodônticos mais comuns em crianças
- Mordida cruzada.
- Mordida aberta — quando os dentes da frente não encostam.
- Mordida profunda.
- Falta de espaço para os dentes permanentes nascerem
- Alterações no crescimento dos ossos da face.
- É comum crianças que apresentam desalinhamentos associados à respiração bucal ou a hábitos de sucção prolongados.
Palavra do especialista
O que os pais devem observar no dia a dia para perceber que a criança precisa de uma avaliação especializada?
Os pais devem ficar atentos se a criança respira mais pela boca do que pelo nariz, ronca com frequência, mantém a boca aberta na maior parte do tempo, apresenta dificuldade para mastigar ou falar, ou se os dentes parecem estar “tortos” muito cedo. Outro sinal importante é quando os dentes de cima e de baixo não se encaixam corretamente ao fechar a boca. Mesmo que não exista nenhum desses sinais, a recomendação é que toda criança faça uma avaliação ortodôntica por volta dos 6 anos de idade. Nessa fase, conseguimos acompanhar o crescimento da face e identificar alterações antes que elas se tornem mais complexas.
Como o acompanhamento precoce pode impactar a qualidade de vida da criança no futuro?
O acompanhamento precoce permite orientar o crescimento da face e dos maxilares enquanto a criança ainda está em desenvolvimento. Em muitos casos, conseguimos evitar que pequenos problemas se tornem tratamentos mais longos e complexos na adolescência ou na vida adulta. Além dos benefícios para a mastigação, respiração e fala, uma mordida equilibrada também contribui para a autoestima e para o bem-estar da criança. O objetivo não é apenas alinhar dentes, mas favorecer um desenvolvimento saudável de toda a face.
Na sua experiência, quais mudanças de comportamento dos pais têm feito mais diferença na prevenção de problemas ortodônticos?
A principal mudança é entender que esperar todos os dentes permanentes nascerem nem sempre é a melhor escolha. Hoje, muitos pais já procuram avaliação preventiva, o que faz toda a diferença. Também percebo uma maior preocupação em retirar hábitos como chupeta e mamadeira no momento adequado e em investigar quando a criança apresenta respiração bucal ou ronco. Quando a família participa ativamente desse acompanhamento, conseguimos orientar, prevenir e, muitas vezes, evitar tratamentos mais complexos no futuro. A informação é uma grande aliada da prevenção, e esse é justamente o propósito do Julho Laranja: conscientizar sobre a importância de cuidar do desenvolvimento da mordida desde a infância.
Isadora Karoline Pereira é odontopediatra
*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte
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