
Não há um plano exato sobre tudo o que acontece na vida, especialmente quando o assunto é descobrir o que quer ser ou fazer. E desse jeito, de forma um tanto quanto despretensiosa, George Esteve (@georgeesteve), 25 anos, uniu duas paixões em um só mundo: moda e skate. E foi nas pistas, primeiramente, que ele se encontrou e fez nascer a marca Human Extinction. Na cultura urbana, conseguiu vislumbrar de onde nasceria um futuro que, agora presente, continua brilhante. Do amor pelos tênis e na vivência esportiva, tornou-se um estilista de sucesso.
O ponto de virada da própria trajetória incluiu o reconhecimento de grandes nomes internacionais, como o lendário designer Virgil Abloh. Hoje, Esteve consolida a assinatura unindo a autenticidade das ruas ao design contemporâneo. Para George, a moda nunca foi uma escolha puramente teórica ou comercial, mas sim o reflexo natural do ambiente em que cresceu. A estética das ruas e o comportamento que cercam o esporte foram seus primeiros contatos com o estilo.
"A moda entrou na minha vida muito antes de eu entender ela como profissão ou indústria. Para mim, veio muito do skate e nem de uma forma planejada. Sempre fiz parte dessa cultura do skate de rua e isso acabou vindo muito naturalmente. Não foi algo que eu busquei entrar ou tentei construir, simplesmente aconteceu. O jeito de se vestir, as referências, as marcas, os vídeos, as pessoas ao meu redor, tudo isso sempre esteve junto. Antes mesmo de enxergar aquilo como moda, já estava vivendo aquilo sem perceber", relembra.
Essa transição orgânica ganhou um catalisador importante: a cultura dos tênis (sneakers), que ele herdou do convívio familiar e que logo se fundiu à sua rotina sobre as quatro rodinhas. "Foi tudo muito natural. O skate me levou bastante para esse lado, mas eu comecei a entrar mais no mundo da moda pelos sneakers. Desde pequeno minha mãe sempre gostou muito desse universo e acho que isso acabou me influenciando também", explica George.
Conquistando espaço
Disposto a expressar sua identidade, George decidiu unir suas duas paixões de uma forma que desafiava o mercado tradicional de colecionadores. Ele começou a gravar vídeos manobrando com modelos de tênis raros e cobiçados — os chamados hypados — algo que gerou controvérsia e, ao mesmo tempo, muita atenção nas redes sociais. "Quando comecei a me interessar por tênis, vi ali uma forma de me expressar. Misturei minhas duas paixões, que eram o skate e os sneakers e comecei a fazer vídeos, o que na época chamava bastante atenção porque muita gente tratava esses tênis como intocáveis”, destaca.
No começo, George recorda que muitas pessoas acharam estranho, mas que para ele os tênis tinham de ser usados mesmo. E nada melhor do que praticando um esporte que sempre presente em sua vida. “Meu jeito de expressar isso era por meio do skate. Isso me ajudou a conquistar meus primeiros seguidores e foi um passo importante para chegar onde cheguei. Com o tempo fui aprendendo mais, criando minhas próprias coisas e acabei lançando minha marca."
Mais do que apenas roupas largas e calçados específicos, o skate forneceu a base de seu processo criativo atual. A mentalidade do "faça você mesmo" (do it yourself, em inglês, ou DIY) e a rejeição à necessidade de aprovação externa tornaram-se seus maiores diferenciais de mercado. "O skate influencia muito mais do que estética pra mim. Ele moldou meu jeito de enxergar as coisas. Nele tem muita liberdade criativa, autenticidade e uma ideia de fazer acontecer sem esperar validação. Acho que levo muito disso para o que crio hoje. Mesmo quando o resultado final não parece diretamente ligado ao skate, a forma de pensar ainda vem muito dali”, ressalta.
O reconhecimento internacional
O divisor de águas na carreira do estilista veio quando seu trabalho chamou a atenção de um dos maiores ícones da moda global: Virgil Abloh, o falecido fundador da Off-White e diretor artístico da Louis Vuitton. O contato abriu portas definitivas para Esteve no cenário da alta moda. "No começo foi um choque muito grande. Quando o Virgil me mandou mensagem eu realmente fiquei sem acreditar, porque era alguém que eu acompanhava e admirava há muito tempo. Foi um momento que mudou muito minha percepção”, conta.
Depois disso, as outras conexões e pessoas que conheceu nesse meio aconteceram de uma forma ainda mais natural. “Nunca foi algo que eu busquei ou tentei entrar à força. Eu só fui seguindo o que eu gostava, misturando minhas paixões, que eram skate e a moda”, acrescenta George. Olhando para frente, ele não demonstra intenção de estagnar. Seus planos envolvem o amadurecimento técnico das criações e a expansão da marca para novos patamares, mas com a promessa de manter os pés firmes nas origens que o trouxeram até aqui.
"Imagino meu futuro continuando a ampliar meu conhecimento e mergulhando cada vez mais no mundo da moda. Quero continuar refinando meus gostos, evoluindo minha visão criativa e transformando isso nas minhas próprias peças e no universo que estou construindo. Também quero levar minha marca para um nível muito maior, sem perder aquilo que fez tudo começar. Continuar juntando tudo que sempre foi minha forma de expressão", projeta o criador.

Revista do Correio
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