Saúde & Bem-estar

Intestino e bexiga: entenda como a prisão de ventre pode causar urgência para urinar

Sintomas urinários persistentes podem estar associados a alterações digestivas que muitas vezes passam despercebidas

Urgência para urinar, aumento da frequência urinária e incontinência podem estar relacionados ao funcionamento do intestino (Imagem: Alrandir | Shutterstock) -  (crédito: EdiCase)
Urgência para urinar, aumento da frequência urinária e incontinência podem estar relacionados ao funcionamento do intestino (Imagem: Alrandir | Shutterstock) - (crédito: EdiCase)

Quem sofre com prisão de ventre costuma associar o problema apenas ao intestino. No entanto, quando a saúde intestinal não funciona bem, também pode prejudicar a bexiga. Os dois órgãos ocupam a mesma região da pelve, compartilham músculos de sustentação e possuem conexões neurológicas semelhantes. Por isso, quando um deles apresenta alterações, o outro frequentemente acaba sendo afetado.

Segundo o urologista Dr. Nelson Batezini, referência em disfunções miccionais e urodinâmica, essa associação é bastante comum no consultório e, muitas vezes, passa despercebida pelos próprios pacientes.

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“É muito frequente recebermos pessoas que procuram atendimento por causa da urgência para urinar ou aumento da frequência urinária e, durante a investigação, descobrimos que elas convivem há anos com prisão de ventre. Tratar apenas a bexiga, sem olhar para o intestino, muitas vezes não resolve completamente o problema”, explica.

Como o intestino interfere na bexiga?

Quando o intestino permanece cheio por longos períodos devido ao acúmulo de fezes, ele pode exercer pressão sobre a bexiga, reduzindo sua capacidade de armazenamento e provocando sintomas urinários. Além da compressão física, existe outro fator importante: a musculatura do assoalho pélvico.

Esses músculos sustentam tanto a bexiga quanto o intestino e precisam trabalhar de forma coordenada para permitir uma evacuação e uma micção normais. Quando há constipação crônica, é comum que essa musculatura fique constantemente tensionada, prejudicando o funcionamento dos dois sistemas.

“A mesma musculatura que participa do controle urinário também atua durante a evacuação. Se existe dificuldade persistente para evacuar, esse conjunto muscular pode entrar em desequilíbrio e favorecer sintomas urinários, como urgência, aumento da frequência para urinar e, em alguns casos, perdas involuntárias de urina”, afirma o Dr. Nelson Batezini.

Sintomas que podem indicar essa relação

Na prática, quando a prisão de ventre interfere no funcionamento da bexiga, podem surgir sintomas intestinais e urinários que merecem atenção. Entre os principais sinais, estão:

  • Prisão de ventre frequente;
  • Sensação constante de estufamento abdominal;
  • Dificuldade ou esforço excessivo para evacuar;
  • Vontade de urinar várias vezes ao dia;
  • Urgência urinária;
  • Sensação de que a bexiga nunca esvazia completamente;
  • Escapes de urina, principalmente quando a bexiga está muito cheia.

Embora esses sintomas possam ocorrer isoladamente, a presença de alterações intestinais e urinárias ao mesmo tempo merece investigação.

Mulher adulta de cabelos loiros e curtos, vestindo uma camisa verde de manga comprida e calça jeans, sentada no centro de um sofá cinza em uma sala de estar. Ela está levemente curvada para a frente, com os olhos fechados e ambas as mãos pressionadas sobre o abdômen, demonstrando uma expressão de dor ou desconforto abdominal. Ao fundo, vê-se uma estante de madeira desfocada com livros e objetos decorativos.
Alterações no assoalho pélvico ao longo da vida aumentam a chance de problemas intestinais e urinários (Imagem: voronaman | Shutterstock)

Mulheres são as mais afetadas

A associação entre intestino preso e sintomas urinários é especialmente frequente nas mulheres. Gestação, parto, alterações hormonais da menopausa e o próprio envelhecimento podem enfraquecer ou modificar o funcionamento do assoalho pélvico, aumentando a chance de que problemas intestinais repercutam também sobre a bexiga.

“Muitas mulheres procuram atendimento acreditando que têm apenas um problema urinário. No entanto, quando avaliamos toda a região pélvica, percebemos que o intestino também está comprometido. O tratamento precisa ser integrado para oferecer resultados mais duradouros”, destaca o especialista.

Nem sempre o tratamento começa pela bexiga

De acordo com o Dr. Nelson Batezini, em muitos casos, a melhora dos hábitos intestinais já reduz significativamente os sintomas urinários. Isso inclui aumentar a ingestão de água, consumir mais fibras, praticar atividade física regularmente, respeitar o reflexo natural de evacuação e evitar longos períodos sem ir ao banheiro. Quando necessário, o tratamento pode envolver fisioterapia do assoalho pélvico, acompanhamento nutricional, medicamentos e exames específicos para avaliar o funcionamento da bexiga.

Quando procurar um especialista?

A avaliação médica é indicada quando a prisão de ventre é persistente ou quando surgem sintomas urinários que interferem na rotina, como vontade frequente de urinar, urgência ou episódios de incontinência.

“O organismo funciona de forma integrada. Intestino e bexiga conversam o tempo todo. Por isso, investigar apenas um dos órgãos pode atrasar o diagnóstico e limitar os resultados do tratamento. Quanto mais cedo essa relação é identificada, maiores são as chances de controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida”, conclui o Dr. Nelson Batezini.

Por Daiane Bombarda

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PE
postado em 23/07/2026 17:35
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