
Pequenas partículas brancas espalhadas pela pelagem podem parecer apenas um incômodo estético. Em cães e gatos, porém, a chamada "caspa" pode estar relacionada a diferentes fatores, como alimentação inadequada, baixa umidade do ar, alergias, parasitas, infecções e alterações hormonais. Embora o termo seja popularmente utilizado pelos tutores, a descamação não representa, por si só, um diagnóstico veterinário.
Para identificar a origem do problema e definir o tratamento adequado, é necessário observar outros sinais apresentados pelo animal e, quando a alteração é persistente, buscar avaliação profissional. A médica-veterinária Carolina Melles explica que a presença de descamação não deve ser ignorada. "A presença de caspa nos pelos e na pele do pet é um sinal de alerta para a saúde. Pode indicar alergia, sendo, neste caso, fundamental investigar a causa, que pode ser alimentar, ambiental, por parasitas, entre outras", afirma.
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Segundo a especialista, a descamação pode estar relacionada a alergias, alterações hormonais e infecções secundárias. O problema deixa de ser apenas dermatológico quando vem acompanhado de sinais como coceira intensa, queda de pelos, vermelhidão, lesões, secreções, odor forte, apatia ou infecções recorrentes. A alimentação também exerce influência direta sobre a saúde da pele e da pelagem.
A qualidade e a quantidade do alimento oferecido podem interferir na formação da barreira cutânea e na capacidade do organismo de combater agentes externos. "O que se come, a quantidade de comida, a frequência e a qualidade da alimentação oferecida influenciam diretamente a saúde da pelagem, a qualidade do pelo, a barreira cutânea e a forma como o organismo do pet conseguirá combater agentes externos", explica Carolina.
Sinais de alerta
A estudante Ana Clara Tavares, 23 anos, percebeu pequenas partículas brancas no pelo da pet Naylla enquanto a penteava. Além disso, chamou sua atenção o aumento da frequência com que o animal tentava se limpar e se coçava. De acordo com ela, a veterinária relacionou o quadro ao estresse.
"Já não é a primeira vez que a minha gata tem esses episódios de estresse. Da última vez, ela começou a fazer xixi com sangue por causa de uma simples mudança de rotina", relata. O animal de estimação também passou a vomitar pelos com mais frequência, em razão do excesso de limpeza, e apresentou bastante coceira.
Para reduzir os sintomas, Ana Clara alterou a alimentação, passou a limpar a gata com um pano umedecido e aumentou a frequência das escovações. "A mudança de rotina, às vezes, não tem como evitar, então, só tento dar petiscos depois para tentar acalmá-la", conta.
A professora de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Brasília (CEUB) Thuany Cotta explica que o estresse não é uma causa direta da descamação, mas pode agravar doenças dermatológicas já existentes. Animais estressados também podem lamber, morder ou se coçar excessivamente, provocando lesões e favorecendo inflamações.
A estudante Lilla de Lacerda Borges, 20, percebeu a descamação da gata Amora durante um momento de carinho. "Quando fui fazer carinho nela, vi um monte de bolinhas. Inicialmente, achei que eram aquelas bolinhas de algodão que ficam na roupa, mas, aí, olhei direito e vi que eram caspas", recorda.
Como a gata continuou se alimentando e se comportando normalmente, Lilla não procurou atendimento profissional. "Não levei ao veterinário porque achei que era algo relacionado à alimentação, então só pesquisei sobre, fiz o recomendado e observei se o quadro melhoraria", diz.
Depois, a tutora trocou a marca do sachê e passou a renovar a água do animal com mais frequência. "Antes, trocava a água só ao final do dia e passei a trocar de manhã também. Quando digo trocar a água, me refiro a tirar a antiga e lavar o pote com detergente neutro", detalha. Para Thuany, considerar toda descamação normal é um dos principais equívocos entre os tutores.
"Um dos mitos mais comuns é acreditar que toda descamação é normal ou que basta dar banho com um shampoo hidratante para resolver o problema. Na realidade, a descamação pode ser um sinal de doenças alérgicas, infecções por fungos ou bactérias, parasitas, alterações hormonais, deficiências nutricionais e até doenças autoimunes", explica.
A médica-veterinária Luciana Amorim ressalta que o tratamento para a caspa deve variar de acordo com a causa dela. Identificar o que está causando a descamação é o primeiro passo para solucionar o problema. Dependendo da avaliação clínica, podem ser necessários exames de pele, testes alimentares, exames laboratoriais e avaliações hormonais. A partir do diagnóstico, o tratamento pode incluir mudanças na alimentação, banhos terapêuticos, produtos específicos ou medicamentos.
Além das condições de saúde, fatores ambientais também podem favorecer a descamação. Clima seco, banhos muito frequentes, água quente e produtos inadequados podem comprometer a proteção natural da pele. Entre os cuidados recomendados, estão a alimentação equilibrada, a oferta de água fresca, o controle de parasitas, a escovação regular e o uso de produtos específicos para cada espécie.
EU, REPÓRTER | A recuperação de Tom
Há exatos 30 dias, Tom chegou à minha casa. Resgatado das ruas, o gato ainda carregava sinais do período em que viveu sem cuidados regulares. Magro e com a pelagem opaca, o filhote de quatro meses apresentava pequenas escamas brancas espalhadas pelo corpo. A princípio, imaginei que fosse apenas sujeira, mas a aparência se assemelhava à caspa humana. A explicação veio durante a consulta veterinária: segundo o diagnóstico, a descamação era consequência da desnutrição.
Sem uma alimentação adequada nos primeiros meses de vida, o organismo dele refletia a falta de nutrientes na pele e nos pelos. O tratamento não envolveu medicamentos ou produtos dermatológicos. A orientação foi oferecer uma ração de qualidade, adequada à idade do filhote, e acompanhar a recuperação.
Trinta dias depois do resgate, Tom ainda está em processo de recuperação, mas já tem acesso regular a comida e abrigo.
Para ficar atento
A avaliação veterinária é recomendada quando a descamação é intensa, persistente ou aparece acompanhada de:
coceira;
vermelhidão;
queda ou falhas na pelagem;
feridas, crostas ou secreções;
odor forte;
apatia;
alterações de peso;
infecções recorrentes.

Revista do Correio
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