
A associação entre câncer de pulmão e cigarro permanece válida, mas o cenário de prevenção se tornou mais complexo. Atualmente, o alerta envolve pessoas expostas à fumaça de terceiros, até pacientes que nunca fumaram, e jovens que adotaram os dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos como vapes.
Nesse contexto, o Agosto Branco, mês de conscientização sobre a doença, ganha relevância. A campanha reforça os riscos do cigarro e chama atenção para novas formas de exposição a um problema de saúde pública.
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As projeções do Instituto Nacional de Câncer (Inca) para o triênio 2026-2028 indicam que o Brasil deverá registrar cerca de 32 mil novos casos anuais, sendo 18 mil em homens e 14 mil em mulheres.
Para o oncologista Márcio Almeida, da Rede Américas, a mudança de comportamento da população exige uma nova abordagem na prevenção. “Temos pacientes que nunca fumaram, pessoas expostas durante anos ao tabagismo passivo e uma geração muito jovem tendo contato com cigarros eletrônicos. A mensagem da prevenção precisa acompanhar essa nova realidade”, afirma.
Novas formas de fumar ampliam o alerta
Apesar da redução no consumo de cigarros convencionais ser um avanço, a popularização dos dispositivos eletrônicos representa um desafio, principalmente entre jovens. O levantamento Vigitel Brasil 2006–2024, do Ministério da Saúde, aponta que 8,4% dos adultos nas capitais já experimentaram os aparelhos.
Entre jovens de 18 a 24 anos, o percentual sobe para 14,8%. Com formatos tecnológicos e sabores variados, os vapes disseminaram a percepção de que seriam menos prejudiciais, mas isso não significa ausência de riscos.
“Existe uma falsa sensação de segurança em relação ao vape. O fato de não funcionar exatamente como o cigarro convencional não significa que seja isento de riscos. Esses dispositivos podem expor o organismo à nicotina e a diferentes substâncias potencialmente tóxicas”, alerta Almeida.
Quem nunca fumou também precisa estar atento
O câncer de pulmão também pode ocorrer em pessoas que nunca fumaram. Exposição passiva à fumaça, fatores ambientais, poluição, alterações genéticas e histórico familiar são outros fatores de risco.
O Vigitel mostra que 8,9% dos adultos estão expostos à fumaça do tabaco em casa, e 11% no ambiente de trabalho. Isso demonstra que a prevenção vai além da decisão individual de não fumar, incluindo a proteção de ambientes contra a fumaça.
O desafio do diagnóstico precoce
Identificar a doença em fases iniciais é um obstáculo, pois ela pode evoluir de forma silenciosa ou apresentar sintomas confundidos com problemas respiratórios comuns. Sinais como tosse persistente, falta de ar, dor no peito, rouquidão, sangue no escarro e perda de peso sem causa aparente merecem investigação médica.
“Quanto mais cedo conseguimos diagnosticar o câncer de pulmão, maiores são as possibilidades terapêuticas. Hoje temos cirurgia, radioterapia, terapias-alvo e imunoterapia”, explica o oncologista. Ele finaliza: “A prevenção precisa alcançar também quem está ao lado do fumante, quem nunca fumou e, principalmente, uma geração que pode estar chegando à nicotina por uma porta diferente”.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
