A arquitetura pode ser muito mais do que uma questão estética. Na Casacor Brasília 2026, os espaços são pensados para despertar sensações, resgatar memórias e criar novas formas de conexão com o lar. Em sua 34ª edição, a mostra ocupa novamente a histórica Casa do Candango, na 603 Sul, entre 12 de agosto e 12 de outubro, com o tema “Mente e Coração”.
Ao todo, são 40 ambientes projetados por 52 profissionais de arquitetura, design de interiores e paisagismo. A proposta deste ano parte da ideia de que a casa deixou de ser apenas um lugar para morar e passou a assumir também o papel de refúgio físico e emocional, espaço de convivência, acolhimento e bem-estar.
A temática aparece em projetos que exploram conceitos como neuroarquitetura e biofilia, além da valorização das memórias afetivas, da integração entre os ambientes e do uso de materiais naturais. Texturas, iluminação indireta, vegetação, arte, música e aromas são incorporados aos espaços como ferramentas para estimular os sentidos e criar identificação com quem os visita.
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Entre os destaques da mostra está o Living Entre Tempos — Midea, assinado pelo Studio Walléria Teixeira. Com 80m², o ambiente foi pensado para convidar à permanência, ao bem-estar e à contemplação. A inspiração nos elementos naturais aparece no mármore escovado que reveste o piso e na madeira nogueira utilizada nas paredes.
O mobiliário assinado por Jader Almeida acompanha a proposta com materiais naturais, tons terrosos e elementos táteis. O pendente Pan se destaca como ponto focal do living, ao lado da mesa de centro Ballet.
Para Walléria, a ideia central do projeto foi valorizar o trabalho manual e o design brasileiro. “A ideia é a valorização do trabalho manual. Então, nós usamos aqui no espaço tudo que é nacional e tudo que é feito pelas mãos”, explica.
A brasilidade aparece também nos objetos escolhidos para compor o ambiente. Cestarias, peças de barro, antiguidades e elementos adquiridos em diferentes regiões do país ajudam a construir uma narrativa afetiva e conectada à cultura brasileira.
“A gente tem muita cestaria, tem um mármore que é nacional, a madeira, que traz esse aconchego. Todos os objetos que estão aqui dentro do espaço são adornos pessoais, que a gente foi pescando em viagens no Brasil, nas regiões do Nordeste, nas regiões indígenas, no barro. A ideia é valorizar o trabalho manual brasileiro e o design brasileiro”, conta a arquiteta.
A escolha dos objetos também revela a intenção de aproximar o visitante de diferentes manifestações do fazer artesanal. Entre as peças estão bancos utilizados em uma instalação criada pelo artista Mendo Barreto, de Brasília, além de cestarias compradas em viagens, em aldeias indígenas e na Feira da Torre.
Memória transformada em arquitetura
A relação entre casa, memória e afeto também está presente no Living Carbon, assinado pelo arquiteto Eduardo Abdo. Com 50m², o ambiente foi inspirado na trajetória das avós do profissional, Nilza Gomes e Terezinha Tavares, e transforma lembranças familiares em elementos de arquitetura e decoração.
Pensado para um casal jovem, cosmopolita e conectado à arte e ao design, o espaço tem a arte como eixo estruturador. Travertino egípcio, madeira pau-ferro, couro La Paz, aço inox, mármore Napoleon Bordeaux e papel de parede italiano formam uma composição sofisticada e atemporal.
A iluminação indireta reforça a experiência ao destacar texturas, materiais e obras de arte. A curadoria reúne pinturas, esculturas e peças do acervo familiar, incluindo cinco trabalhos produzidos por Terezinha Abdo Tavares.
“Eu trouxe minha vó da forma mais forte, nas obras que ela produziu. A gente tem cinco peças dela aqui no ambiente e também de acervo pessoal que remetem à trajetória dela como um todo”, explica Eduardo Abdo.
Segundo o arquiteto, a presença da avó se estende por diferentes elementos do projeto. “O espaço inteiro remete a ela, com memórias afetivas, desde a materialidade, numa base muito nobre, muito sóbria, até a parte de adornos, esculturas e obras de arte que preenchem tudo aquilo que eu cresci vivendo, vendo e valorizando.”
A história de Terezinha também aparece por meio de interesses marcaram a personalidade dela. Moda, viagens e arte fazem parte da narrativa construída no ambiente e ajudam a traduzir a imagem de uma mulher que, segundo o neto, estava à frente de seu tempo. “Ela gostava muito de moda, de viagem. Ela era uma mulher completamente à frente do seu tempo. Então, tudo isso veio com um mix de sentidos para poder transformar o espaço nele mesmo”, afirma.
O gosto por receber também ganhou espaço no projeto. Um bar foi incorporado ao living e reúne elementos relacionados às memórias da família, incluindo bebidas que remetem à trajetória de Terezinha. “Eu gostava muito de receber, então a gente tem um bar que é significativo no ambiente. Tem bebidas, inclusive, que vêm dessa trajetória. O champanhe preferido dela também está lá. Então, em cada detalhe, a gente tem ela”, completa Eduardo.
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