Casa

Fora das quatro paredes: decoração de exteriores valoriza os lares

Áreas externas ganham um olhar especial para socialização e para que a criatividade corra solta. Plantas, cores e móveis fazem novas composições

Em casas, 
há mais espaços para explorar diferentes ambientes -  (crédito: Clausen Bonifácio)
Em casas, há mais espaços para explorar diferentes ambientes - (crédito: Clausen Bonifácio)

Sala, cozinha, quartos e banheiro são os principais cômodos pensados durante uma reforma. No processo de decoração do lar, no entanto, a área externa também merece atenção por se tratar de um local de convivência, seja em apartamentos ou em casas.

Em grandes quintais ou em varandas com espaços limitados, o ambiente reflete os gostos dos moradores e, para isso, precisa ser aconchegante e agradável. Com uma churrasqueira ou um cantinho para leitura, esses espaços são versáteis e funcionam como uma extensão dos outros cômodos da casa.

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O arquiteto Edgar Miguel Mendonça explica como, nos últimos anos, houve uma valorização das áreas externas conectadas às internas. "A integração entre os ambientes fez com que esses espaços deixassem de ser vistos como ambientes de apoio e passassem a desempenhar um papel central na residência. Hoje, varandas, quintais e terraços são pensados para serem vividos no dia a dia, funcionando como extensões naturais dos ambientes internos", detalha o especialista.

Nos grandes quintais 

Nesse sentido, a conexão e a fluidez entre os cômodos e a área externa são fundamentais. Em casas, onde normalmente a parte externa é mais ampla, os espaços podem conter diferentes funcionalidades. Área gourmet, piscina e jardins podem ser explorados seguindo as preferências dos clientes. Um ponto de convergência importante é o uso adequado dos materiais para revestimento e mobiliário.

Durante a construção, pequenos truques podem ser feitos para que o ambiente pareça maior e mais contínuo. Eliminar degraus ou ressaltos no piso entre o ambiente interno e o externo cria um fluxo contínuo. Ademais, utilizar o mesmo porcelanato (ou materiais com a mesma tonalidade e textura) por toda a extensão faz com que o olhar não encontre interrupções. O espaço interno parece se prolongar para fora.

Chuva, vento e sol podem afetar diretamente pisos e móveis que ficam expostos ao intemperismo. Por isso, a escolha do material de composição é primordial para facilitar a manutenção e garantir maior durabilidade. Para a parte que compõe os móveis, estruturas de madeira tratada (como teca, cumaru e ipê) e de alumínio apresentam longevidade e resistência natural à umidade. Além disso, os polietilenos e plásticos recicláveis são materiais modernos e sustentáveis, usados principalmente em móveis de design contemporâneo.

Para quem opta pelo clássico reinventado, as fibras sintéticas imitam a aparência da fibra natural e são mais resistentes ao sol e à chuva. "No mobiliário, vejo um protagonismo das linhas orgânicas, das fibras tramadas, das cordas náuticas e de peças com desenho mais leve, que dialogam bem com a paisagem e proporcionam uma sensação de acolhimento", afirma o arquiteto.

Nos estofos de acolchoados e almofadas, a opção deve ser pelos impermeáveis, como o náutico ou o acrílico, pois repelem a água e resistem ao desbotamento natural. "Nos tecidos, a tecnologia permitiu que materiais próprios para áreas externas se tornassem muito mais sofisticados, com conforto e acabamento comparáveis aos utilizados em ambientes internos", reflete Edgar. 

Apesar de a escolha dos materiais ser vital, algumas ações contínuas devem ser tomadas para a proteção do mobiliário. A limpeza regular dos estofados com água e sabão neutro evita o acúmulo de sujeira e mofo. No caso dos móveis de madeira, é indicada a reaplicação periódica de verniz a fim de evitar rachaduras, perda de coloração e o desgaste do tempo.

Com a incidência solar constante no território brasileiro, Edgar complementa lembrando a importância da leitura do lugar. "Antes de qualquer escolha estética, é fundamental entender a orientação solar, os ventos predominantes e a forma como o espaço será utilizado. Essas informações orientam decisões que fazem diferença no conforto ao longo de todo o ano", ressalta. Para dias mais quentes, devem ser priorizadas soluções que favoreçam a ventilação e o sombreamento, como a implantação de vegetação, pergolados e áreas parcialmente cobertas. 

A escolha por lâmpadas de temperatura quente, de tom amarelado, é essencial. Além de proporcionar uma sensação imediata de relaxamento e acolhimento, a luz quente atrai significativamente menos insetos do que as luzes brancas e frias. Edgar reforça que um bom projeto é aquele que consegue se adaptar às diferentes estações sem perder sua identidade, oferecendo conforto e incentivando que a área externa seja utilizada durante todo o ano.

Em espaços limitados

Já nos apartamentos, as áreas costumam ser mais limitadas e com menos espaço aberto. As varandas proporcionam a sensação de frescor de um quintal, ainda que de forma reduzida. Porém, com o uso dos elementos certos, o aconchego e o bem-estar podem ser alcançados. Arthur Depieri, especialista em paisagismo, discorre sobre como, para espaços limitados, a escolha dos elementos é mais importante do que a quantidade deles. "O principal é aproveitar bem as paredes, usar vasos proporcionais ao ambiente e escolher plantas que não atrapalhem a circulação. Jardins verticais, floreiras e uma boa iluminação ajudam bastante."

Os tons e materiais usados nas paredes também podem criar efeitos visuais interessantes. Tijolos aparentes, azulejos e texturizações dão destaque à área e aos objetos posicionados à frente delas. A fluidez entre a área externa e a interna pode ser criada com a continuidade dos tons das paredes nessa transição, além do uso de cores que se misturem com a natureza, como os esverdeados e terrosos. 

Além disso, o uso de plantas traz um frescor não apenas térmico, mas também visual. Arthur recomenda, para os jardineiros de primeira viagem, algumas espécies de fácil manejo. "O mais importante é escolher a planta certa para a luz e o clima do local. Zamioculcas, espadas-de-são-jorge, jiboias, agaves, clúsias, moreias, cactos e suculentas costumam exigir pouca manutenção."

As espécies nativas do Cerrado também se adaptam facilmente ao clima e à umidade, sendo mais resistentes e consumindo menos água, mesmo no período de seca. O reuso de água da chuva, para a rega das plantas, ou tambores de compostagem, na nutrição do solo, aliam a sustentabilidade à decoração, proporcionando um alívio nas contas também. 

Toda essa ideia de começar a reformar ou redecorar pode ser muito animadora, mas muitas vezes esbarra no orçamento. Em um canto de leitura, por exemplo, uma poltrona pouco utilizada em outra área da casa pode ser reposicionada na parte externa ou mais perto da janela, aproveitando a luz solar.

No jardim, Arthur menciona que processos simples como uma boa poda, a reorganização dos vasos, a recuperação dos canteiros e a renovação da cobertura do solo são capazes de transformar desde grandes jardins até pequenas áreas verdes. Essas dicas podem renovar o ar de um ambiente com mudanças que não geram um grande custo aos moradores. 

*Estagiária sob supervisão de Eduardo Fernandes 

 


  • Sofás específicos são pensados para conforto e durabilidade
    Sofás específicos são pensados para conforto e durabilidade Foto: Harum Yukawa
  • Em espaços menores, truques podem ser feitos para uma maior sensação de aconchego
    Em espaços menores, truques podem ser feitos para uma maior sensação de aconchego Foto: Magnific
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postado em 02/08/2026 06:00
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