Para Laura Hoff, moda nunca foi apenas sobre o que vestir. Aos 24 anos, a designer e criadora de conteúdo encontrou na internet uma maneira de continuar próxima de um universo que sempre despertou sua curiosidade e, ao mesmo tempo, construir uma voz própria sobre ele. Entre histórias de grandes maisons, referências de passarelas, análises de tendências e looks que nem sempre agradam a todos, Laura transformou o conhecimento adquirido durante a formação em moda em conteúdo acessível e, agora, também em produto.
A relação com a moda começou muito antes das redes sociais. “Eu falo que eu acho que o interesse sempre esteve em mim, nasceu em mim. Desde que eu sou criança eu tenho esse fascínio por moda”, conta. A influência, segundo ela, veio de casa, especialmente da mãe e da irmã, que sempre foram vaidosas e atentas à maneira de se vestir e de se portar.
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Ainda assim, a moda não apareceu imediatamente como uma possibilidade profissional. Antes de escolher o caminho que seguiria, Laura chegou a prestar vestibular para direito e medicina. Foi durante um intercâmbio no Canadá, porém, que a ideia ganhou forma. Na primeira semana no país, uma amiga sugeriu que ela estudasse moda. Depois, outras amigas fizeram a mesma observação. “E eu falei, caramba, realmente, né? É uma alternativa, eu nunca tinha visto dessa maneira”, lembra.
Laura se formou no renomado Instituto Maragoni e a experiência fora do Brasil também mudou sua relação com o universo fashion. Quando retornou, percebeu uma distância entre a moda e o cotidiano brasileiro que não sentia da mesma maneira no exterior. “Eu acabei voltando para o Brasil porque eu sentia falta de casa e aqui eu senti muita dificuldade em estar em contato com a moda. É muito diferente de lá, que em todo lugar que você vai, todo mundo valoriza, todo mundo fala, está em todos os lugares, tem muita exposição.”
Foi justamente dessa falta que nasceu uma nova possibilidade. Enquanto trabalhava na empresa do pai, Laura começou a produzir conteúdo como uma forma de não perder o contato com aquilo de que realmente gostava. O que começou como hobby, há cerca de um ano e meio, ganhou proporção.
Moda como investigação
Quem acompanha Laura nas redes sociais encontra muito mais do que combinações de roupas. A criadora mergulha em histórias, designers, marcas e curiosidades que ajudam a entender como a moda chegou até onde está. Para ela, essa curiosidade é consequência natural de trabalhar com o tema. “Em qualquer área que você atua, você despertar curiosidade sobre por que as coisas são da maneira que são”, afirma.
O processo de produção, entretanto, não segue uma fórmula rígida. Quando o assunto são os looks, Laura simplesmente liga a câmera e deixa a criatividade conduzir. “Eu ligo a câmera e faço com que o meu coração sente”, brinca. O resultado é uma espontaneidade que também explica por que ela tem dificuldade em condensar as ideias em vídeos curtos. “Eu tenho muita dificuldade em caber em três minutos, porque eu falo muito, é literalmente reality show.”
Já os conteúdos mais informativos exigem pesquisa, roteiro e tempo. Depois de um período em que publicou diariamente, Laura decidiu reduzir a frequência para preservar a qualidade. “Quando você se importa com o conteúdo que você está entregando, você precisa ter boas referências, ter bons dados, não dá para fazer isso todo santo dia”, avalia.
@laura.hoff Minha maior peripécia: o dia que inventei sobre o vestido branco de noiva #moda #fashionhistory #vestidodenoiva #cadamento #vestidodecasamento ? son original - Laura Hoff
A rotina agora envolve guardar ideias, pesquisar e roteirizar até encontrar um momento para gravar vários conteúdos de uma vez. Às vezes, porém, o processo começa de uma maneira menos planejada. “O anjo sussurrou no meu ouvido um tema e eu falo: cara, o meu tema é interessante.”
A roupa como retrato de uma época
A leitura de Laura vai além da estética. Para ela, a moda funciona como outras manifestações artísticas, como o cinema, a música e a arquitetura, responde ao seu tempo e revela transformações que já estão acontecendo na sociedade.
Cores, tecidos, volumes, comprimento das saias, tamanho dos saltos e até a cor do batom podem funcionar como sinais de um determinado momento. Para Laura, observar esses elementos é também uma maneira de compreender o comportamento coletivo.
No Brasil, ela acredita que essa interpretação ainda encontra dificuldades. “Principalmente falando de Brasil, é um país que não tem tanto apreço, não vê tanta profundidade na moda, é muito natural que as pessoas não saibam interpretar os sinais.”
A consequência aparece também nas escolhas de consumo. Em vez de apostar em peças extremamente associadas a uma tendência passageira, o público passa a procurar itens capazes de permanecer no guarda-roupa por anos.
O guarda-roupa de Laura
Se tivesse de escolher apenas três itens indispensáveis, Laura não hesitaria: acessórios, um sapato diferente e um vestido. “Acessórios, sempre, porque ele consegue transformar de verdade qualquer peça de roupa.”
O sapato aparece pelo mesmo motivo. Pode ser uma bota, uma rasteirinha ou um tênis, desde que tenha força suficiente para transformar a composição. Já o vestido ganha pontos pela versatilidade. “Vestidos permitem criar muito em questão de volume, de versatilidade. Eu quero usar esse vestido de saia, quero usar esse vestido amarrado na minha cabeça, quero usar esse vestido de blusa", destaca.
A relação com a moda, portanto, passa menos pela obediência a regras e mais pela possibilidade de experimentar. Talvez por isso Laura também rejeite a ideia de precisar manter uma opinião fixa sobre tendências.
Da tela para o produto
A mesma mulher que fala sobre acessórios como elementos capazes de transformar completamente um look agora também se aventura na criação deles. Laura está à frente da Hoffié, marca criada para mulheres que enxergam nos acessórios uma manifestação da própria personalidade.
Cada peça nasce de um desenho da própria Laura e aposta em design exclusivo e acabamento cuidadoso. A proposta acompanha uma visão de moda que ela já apresenta nas redes sociais, de construir identidade.
