
Quer dar uma escapada no fim de semana e fazer uma imersão em um lugar que reúne natureza, história, cultura e gastronomia? Situada a menos de duas horas de Brasília, a Rota dos Pirineus, que passa pelos municípios de Pirenópolis, Cocalzinho de Goiás e Corumbá de Goiás, proporciona um roteiro turístico que engloba tudo isso. A Revista do Correio fez uma parada em Corumbá, ainda pouco conhecida do brasiliense, mais acostumado a curtir a vizinha Pirenópolis, e descobriu o que a cidade tem a proporcionar aos turistas.
Prestes a celebrar 300 anos de existência, Corumbá é a segunda cidade mais antiga de Goiás e teve importante papel durante o ciclo do ouro, no século 18. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o centro histórico é um dos mais bem preservados do estado, com ruas de pedra, casarios coloniais e igrejas do século 18. "Corumbá é pequena em tamanho, mas grande em tradição, literatura e cultura", resume o professor de história Ramir Curado, estudioso da história do município.
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Ramir orgulha-se do fato de Corumbá, que tem pouco mais de 10 mil habitantes, contar com 59 escritores que tiveram livros publicados a partir de 1913. Os mais famosos deles são o romancista, contista e poeta Bernardo Élis, único goiano a integrar a Academia Brasileira de Letras, e José J. Veiga, que teve seus livros publicados em diversos países e ganhou, pelo conjunto da obra, a versão 1997 do Prêmio Machado de Assis. A cidade abriga, inclusive, a Academia Corumbaense de Letras, um espaço cultura e de preservação da memória, que guarda e expõe obras e documentos dos autores locais.
As cavalhadas são outro motivo de orgulho dos corumbaibense. Realizado há mais de 175 anos, sempre no primeiro fim de semana de setembro, o espetáculo dura três dias e remete a lutas medievais, sobre cavalo, em que os cristãos enfrentam e vencem os mouros, que ao fim se convertem ao cristianismo. Os cavaleiros são todos filhos do município e, muitas vezes, sucedem os pais no posto — uma tradição que passa de geração para geração. "Nós nos preparamos o ano inteiro para a festa", conta José Quirino, o rei mouro. "Os integrantes vão evoluindo na hierarquia, podendo chegar a rei", completa o atual rei cristão, Eudesi Cardoso.
Entre as cerca de 100 edificações coloniais tombadas pelo Iphan, encontra-se a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França, que abriga o Museu de Arte Sacra. A região também tem ganhado destaque por causa das vinícolas e queijarias, muitas delas abertas à visitação. É em Corumbá de Goiás que começa o Caminho de Cora Coralina, uma trilha de aproximadamente 300 quilômetros de extensão, que cruza as cidades históricas de Pirenópolis, São Francisco de Goiás, Jaraguá e a Cidade de Goiás, seguindo também pelos municípios de Cocalzinho de Goiás, Itaguari e Itaberaí, até chegar à Cidade de Goiás.
Ecoturismo e vinho
Um dos principais cartões postais do município é a cachoeira do Salto Corumbá, com seus 50 metros de altura, que costuma chamar a atenção de quem passa pela altura do quilômetro 383 da BR-414. Durante quase dois séculos, ela ficou seca, por causa de um desvio no curso do Rio Corumbá feito por garimpeiros, no século 18. Somente em 1988, o fluxo natural do rio foi restaurado e a queda d'água voltou. Em 2015, ela ficou mundialmente famosa ao ilustrar a capa da edição de dezembro da revista National Geographic Traveler.
A Salto Corumbá fica dentro de um parque de 65 hectares, um dos maiores do cerrado, que engloba outras seis quedas d'água, trilhas, piscinas, toboáguas, esportes de aventura, fazendinha e restaurantes. É possível optar pelo day use (R$ 107 por pessoa), que funciona de segunda a segunda, das 8h às 18h, ou se hospedar dentro do parque, seja na área de camping, que oferece água e energia, seja em um dos quartos do hotel, que une conforto e luxo com uma decoração rústica. O parque recebe, em média, 120 mil turistas por ano.
A trilha até a cachoeira é fácil de ser vencida, o que permite que crianças e idosos também desfrutem da água gelada do Salto. Em determinadas épocas do ano, como a atual, é possível, inclusive, chegar até a queda d'água e sentir a sua força revigorante. No local, há estrutura de lanchonete com venda de bebidas e petiscos.
O proprietário do Salto Corumbá, Rodrigo Estivallet, é um entusiasta do ecoturismo e faz planos para expandir as atrações do parque. Ainda este ano, deverá ser inaugurado um espaço para eventos com capacidade para 200 pessoas. "De lá, é possível ver um dos mais lindos pores do sol da região", orgulha-se. O local deve abrigar celebrações de casamento, festas de aniversário e encontros corporativos.
Mas um dos maiores planos de Rodrigo é retornar a prática da Viticultura no local. De 2019 a 2024, o parque contava com um parreiral, que cultivava uva syrah, em dois hectares, e chegou a produzir algumas garrafas do vinho Estivallet, em parceria com a vinícola Assunção, também na região dos Pirineus, encarregada da vinificação das uvas.
Segundo o empresário, o local escolhido para cultivar a uva não foi o mais adequado. Como o parreiral ficava próximo ao rio, em uma área muito úmida, a plantação passou a apresentar fungo. "Em uma safra, chegamos a produzir 800 garrafas, mas ela estava caindo gradualmente", lembra. Rodrigo decidiu, então, interromper o plantio e escolheu uma nova área, de três hectares, dentro da propriedade. "O novo parreiral ficará a 1.250 metros de altitude, assim, teremos amplitude térmica", explica. "Quando começarem as primeiras chuvas deste ano, devemos começar a plantar."
Entre os projetos futuros, Rodrigo pretende, ainda, cultivar oliveira para a produção de azeite e fazer uma plantação de lavanda. Para um futuro um pouco mais distante, o empresário prevê a construção de um condomínio vitivinícola, onde as pessoas compram lotes dentro de vinhedos e se tornam sócias, nos moldes do que já é feito na Argentina.
Vantagem
A grande diferença de temperatura entre dias quentes e noites frias ajuda a concentrar os açúcares e manter a acidez ideal das uvas.
Condomínio
O desenvolvimento do turismo na região da Rota dos Pirineus tem atraído a instalação decondomínios horizontais, voltados para a construção de casas de veraneio, para locação e até segunda moradia. É o caso do Salto Imperial, o primeiro empreendimento da cidade, que está com a primeira etapa praticamente esgotada. O condomínio oferecerá uma ampla estrutura de lazer e fica a poucos quilômetros de Corumbá e de Pirenópolis. “Os terrenos acidentados são os queridinhos do público, os primeiros a acabar porque a intenção dos proprietários é fazer casas instagramáveis e inspiradoras”, diz o coordenador de vendas Rodrigo Ribeiro.
*A jornalista viajou a Corumbá a convite da ABL Prime e da Trinus, que estão desenvolvendo o Salto Imperial
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Revista do Correio
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