Casa

Transforme sua casa: papel de parede com a sua personalidade

Versátil e personalizável, o papel de parede pode mudar a atmosfera dos espaços sem exigir grandes reformas

Na Bilheteria Limiar, da Três Arquitetura, na CasaCor, o papel de parede impresso em veludo vai além do revestimento: é uma obra de arte exclusiva assinada pelos profissionais Vinícius Alano e Luciano Pena -  (crédito: Edgard Cesar)
Na Bilheteria Limiar, da Três Arquitetura, na CasaCor, o papel de parede impresso em veludo vai além do revestimento: é uma obra de arte exclusiva assinada pelos profissionais Vinícius Alano e Luciano Pena - (crédito: Edgard Cesar)

Mais do que um simples revestimento, o papel de parede se tornou um recurso utilizado por arquitetos e designers de interiores para transformar a atmosfera dos ambientes. Com diferentes cores, estampas, texturas e acabamentos, o material permite renovar espaços sem a necessidade de grandes reformas e abre possibilidades para projetos que buscam fugir de uma decoração padronizada. A escolha do revestimento pode interferir não apenas na aparência, mas também na sensação provocada pelo cômodo.

A permanência do papel de parede nos projetos está ligada justamente à capacidade de acrescentar identidade à decoração. Para a arquiteta Giovanna Leal, o material, assim como os tecidos, consegue levar personalidade, textura e presença aos ambientes. “São esses detalhes que tornam um projeto mais interessante e menos genérico”, explica. A proposta, nesse sentido, é fazer com que cada espaço tenha características que dialoguem com as pessoas que vivem nele, em vez de seguir apenas uma estética considerada tendência.

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Essa busca por identidade também aparece na escolha dos materiais e nos locais onde eles são aplicados. No espaço que desenvolveu para a CasaCor Brasília 2026, Giovanna optou por utilizar um tecido jacquard no interior de um louceiro. Como o desenho é construído na própria trama do tecido, o material cria uma textura diferenciada e acrescenta profundidade ao móvel. A solução mostra como revestimentos podem ser explorados em detalhes que, embora não ocupem grandes superfícies, ajudam a enriquecer a composição. 

Mais do que uma estampa

Em vez de partir apenas das tendências que aparecem no mercado, Giovanna defende que o revestimento esteja relacionado à história da casa e à maneira como seus moradores gostam de viver. Por ter bastante presença visual, o papel precisa conversar com os demais elementos do espaço. Dependendo da proposta, uma textura discreta ou uma estampa quase imperceptível pode ser suficiente para acrescentar profundidade sem disputar atenção com os móveis e objetos. Em outras situações, modelos mais marcantes podem assumir o protagonismo e transformar a parede em um dos principais pontos de interesse do cômodo. O equilíbrio está em entender qual papel o revestimento deve desempenhar dentro daquela composição.

A escolha do material pode influenciar diretamente a sensação provocada pelo espaço. Cor, textura, escala do desenho e contraste com os demais elementos são alguns dos fatores que determinam o resultado. Giovanna explica que papéis com textura ou aparência têxtil costumam trazer mais aconchego, enquanto tons claros e desenhos leves podem contribuir para uma sensação de amplitude. Assim, o revestimento pode ser escolhido não apenas pela aparência que apresenta, mas pelo efeito que se deseja criar.

Já propostas com cores mais profundas, texturas marcantes ou acabamentos diferenciados podem reforçar uma atmosfera sofisticada. A combinação entre esses elementos e os demais componentes do ambiente é o que define a percepção final. Por isso, a arquiteta prefere enxergar o papel de parede não apenas como um acabamento, mas como “uma ferramenta para reforçar a atmosfera” criada em cada espaço, seja ela mais acolhedora, leve, elegante, seja ousada.

A percepção das cores e estampas, entretanto, não depende apenas da escolha feita no catálogo. A arquiteta Luciana Canalli, que também participa desta edição da CasaCor, chama atenção para a influência de fatores externos no resultado. A mesma cor pode ser percebida de maneiras diferentes dependendo do ambiente e da pessoa, enquanto a iluminação interfere diretamente na aparência do revestimento. Por isso, uma escolha que parece adequada em uma fotografia pode produzir outro efeito quando chega ao espaço real.

A quantidade de luz natural disponível é um dos aspectos que precisam ser observados antes da escolha. Um tom pode ganhar intensidade em um ambiente muito iluminado ou parecer diferente em um espaço com pouca incidência de luz. Além disso, a iluminação artificial também participa do resultado, principalmente em ambientes utilizados durante a noite. Avaliar essas condições antes da compra ajuda a entender como o papel de parede irá se comportar ao longo do dia.

Piso, móveis e objetos decorativos também participam dessa percepção. As cores e estampas não são elementos isolados e podem ganhar diferentes intensidades quando combinadas com os demais componentes do ambiente. Para Luciana, essa é uma das dificuldades dos projetos que trabalham com cores, texturas e estampas, já que nem sempre é possível controlar todas as interferências ou a maneira como cada pessoa enxergará determinada tonalidade.

Cuidados na instalação do revestimento 

Antes da instalação, porém, a atenção precisa se voltar para a condição da parede. A superfície deve estar lisa e sem muitas imperfeições, já que irregularidades podem ficar aparentes depois que o revestimento for aplicado. O preparo da base, portanto, é parte importante do processo e pode fazer diferença tanto na aparência quanto na durabilidade do papel. Uma superfície inadequada pode comprometer o resultado mesmo quando o material escolhido é de boa qualidade.

A pintura também precisa estar completamente seca antes da colocação do papel. De acordo com Luciana, geralmente é recomendado aguardar cerca de 48 horas, embora o período possa variar de acordo com a orientação de cada fabricante. Seguir as recomendações específicas do produto é importante para evitar problemas durante a aplicação e preservar o acabamento. O cuidado prévio, nesse caso, é tão importante quanto a escolha estética feita no início do projeto.

A versatilidade ajuda a explicar por que o recurso continua sendo utilizado em diferentes projetos. Além de transformar visualmente o ambiente, o papel de parede pode ser aplicado de maneira relativamente rápida e limpa, sem que seja necessário modificar a estrutura física do espaço. A mudança acontece principalmente pela superfície, permitindo renovar a decoração com uma intervenção menor do que uma reforma tradicional.

Essa característica pode ser aproveitada em quartos infantis, por exemplo, onde a decoração costuma acompanhar diferentes fases da vida. Conforme a criança cresce, uma temática pode ser substituída por outra por meio da troca do revestimento, sem que seja necessário alterar toda a estrutura do cômodo. A possibilidade de renovar apenas uma camada da decoração permite que o espaço acompanhe essas mudanças de maneira mais prática.

Essa flexibilidade permite que o papel de parede ocupe diferentes posições dentro de um projeto, desde o protagonismo de uma parede inteira até a função de detalhe em uma marcenaria. A escolha entre uma proposta discreta ou marcante depende da personalidade dos moradores, das características do ambiente, da iluminação e do efeito que se pretende alcançar. Mais do que encontrar um modelo bonito isoladamente, é preciso entender como ele funcionará dentro do conjunto.

*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte

  • Na Bilheteria Limiar, da Três Arquitetura, na CasaCor, o papel de parede impresso em veludo vai além do revestimento: é uma obra de arte exclusiva assinada pelos profissionais Vinícius Alano e Luciano Pena
    Na Bilheteria Limiar, da Três Arquitetura, na CasaCor, o papel de parede impresso em veludo vai além do revestimento: é uma obra de arte exclusiva assinada pelos profissionais Vinícius Alano e Luciano Pena Foto: Edgard Cesar
  • No projeto Lar das Três Marias, Luciana Canalli mescla arte, cultura e profundidade por meio da combinação entre o papel de parede e o mobiliário
    No projeto Lar das Três Marias, Luciana Canalli mescla arte, cultura e profundidade por meio da combinação entre o papel de parede e o mobiliário Foto: Fred Schueler
  • Giovanna Leal aposta na textura do tecido, que traz sensação de aconchego
    Giovanna Leal aposta na textura do tecido, que traz sensação de aconchego Foto: Everton Lopes
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postado em 06/09/2026 06:00
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