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Estantes em cena: entre a funcionalidade e a arquitetura

Presentes em diferentes propostas da CasaCor Brasília 2026, as estantes deixam de ser apenas espaços de armazenamento e passam a participar da construção dos ambientes

Na Suíte Origem, a estante vazada delimita a área do spa sem interromper a integração com o quarto -  (crédito: Edgard Cesar)
Na Suíte Origem, a estante vazada delimita a área do spa sem interromper a integração com o quarto - (crédito: Edgard Cesar)

Em projetos de interiores cada vez mais integrados, separar ambientes não significa necessariamente levantar paredes. Na CasaCor Brasília 2026, as estantes aparecem como uma alternativa para organizar diferentes funções dentro de um mesmo espaço sem interromper completamente a conexão entre elas. Mais do que mobiliário destinado ao armazenamento, as peças assumem diferentes papéis conforme a proposta de cada ambiente. Podem criar uma transição entre áreas, estabelecer limites visuais, expor objetos e produtos ou até funcionar como parte da própria arquitetura.

Na Suíte Origem, assinada pelo escritório Palloma Meneghello Arquitetos e Associados, a estante foi utilizada para estabelecer uma passagem entre o quarto e o spa. O ambiente foi pensado como um refúgio dedicado ao descanso, ao autocuidado e ao bem-estar, e a peça ajuda a organizar essas duas experiências sem isolá-las. A escolha surgiu da necessidade de separar funções distintas dentro da suíte. De um lado, está a área destinada ao descanso; do outro, o espaço de relaxamento. Para Palloma, a estante permitiu fazer essa divisão de maneira mais delicada do que uma parede convencional. “Uma parede, por exemplo, deixaria os espaços mais compartimentados”, explica.

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O desenho da peça também foi pensado para desempenhar mais de uma função. Os nichos foram planejados para receber objetos utilizados no spa, mas também para criar enquadramentos dentro do ambiente. O grande nicho central, por exemplo, serve como apoio para roupões, roupas e outros itens, ao mesmo tempo em que emoldura a área de relaxamento. A partir do quarto, a composição ganha outra leitura. Segundo Palloma, o spa passa a ser percebido quase como um quadro dentro da suíte. Dessa maneira, aquilo que poderia ser apenas uma estrutura de armazenamento também participa da experiência visual de quem ocupa o espaço.

Outro desafio foi fazer com que a estante funcionasse dos dois lados. Como a peça está entre ambientes com usos diferentes, não havia espaço para uma frente principal e um fundo sem tratamento. “A estante faz parte tanto do ambiente da cama quanto do spa, então precisava ser interessante e bem resolvida a partir dos dois lados”, afirma.

Os vazios são fundamentais para esse resultado. Em vez de fechar completamente a passagem entre os espaços, os nichos permitem que a luz atravesse a estrutura e que os ambientes continuem visualmente conectados. A privacidade existe, mas não significa isolamento. Essa característica também torna a solução aplicável a espaços menores. Para Palloma, estantes divisórias podem organizar diferentes funções sem comprometer a entrada de luz ou reduzir visualmente o ambiente. A lógica é simples: “É uma solução que divide sem isolar”, resume.

Um móvel, dois ambientes

No Living Breton, assinado por Ruan Braga e Willker Alcântara, a estante assume uma função semelhante, mas parte de uma proposta diferente. O ambiente reúne cozinha, jantar e estar com o objetivo de valorizar os encontros e a convivência, e a peça atua como uma transição sutil entre a mesa de jantar e o living.

Nesse caso, a estante também foi pensada para receber decoração, arte e objetos carregados de significado. A estrutura ajuda a construir uma passagem entre os dois setores sem determinar uma separação rígida. Ao mesmo tempo, quando observada a partir do jardim da CasaCor, ela ganha protagonismo e funciona como um elemento que resguarda a sala.

O desenho da peça também contribui para essa leveza. As estantes foram assinadas pelo escritório Triptyque em parceria com a Breton e possuem diferentes possibilidades de dimensões e acabamentos. Para o Living Breton, a escolha combinou estrutura de madeira e prateleiras em Grigio Armani. A mistura entre os materiais foi pensada para criar contraste e, ao mesmo tempo, harmonia. O tom mais frio da pedra se encontra com a madeira, enquanto as prateleiras parecem flutuar sobre a estrutura.

A localização da estante também interfere na experiência de quem circula pelo espaço. Vista do jardim, ela funciona como um primeiro ponto focal e desperta a curiosidade antes mesmo de o visitante entrar no ambiente. Depois, integrada à decoração e à paleta de cores, passa a fazer parte da composição como um todo.

A escolha por uma estrutura vazada foi determinante para manter essa relação entre os ambientes. “Por ser um elemento que não fecha o espaço, ela cria uma passagem sutil, além de permitir expor itens e objetos pessoais”, explica Ruan. No projeto, esses objetos também ajudam a traduzir a ideia de memória e afeto proposta pela ambientação.

Mesmo preenchida pela decoração, a estante não bloqueia completamente a visão do ambiente oposto. Suas dimensões generosas estabelecem um limite visual, enquanto os espaços vazios permitem a passagem da luz e a contemplação do outro lado. A divisão, portanto, acontece mais pela percepção do que pelo fechamento físico. A peça passa, assim, a desempenhar simultaneamente funções práticas e estéticas.

A parede vira exposição

No Entre, Pausa, loja de aromas assinada por Juliane Almeida, a estante aparece de outra maneira. Em vez de separar dois ambientes, a estrutura foi incorporada à parede e passou a integrar diretamente a arquitetura do espaço. O objetivo foi fazer com que a exposição dos produtos e a composição do ambiente fossem percebidas como uma única proposta.

Por se tratar de um espaço comercial, a organização dos objetos ganhou atenção especial. Os produtos foram distribuídos de maneira pontual, criando intervalos e respiros entre as peças. “A composição parte do equilíbrio entre cheios e vazios”, explica Juliane, destacando a preocupação em valorizar cada fragrância sem sobrecarregar visualmente o espaço.

A escala também foi pensada em relação aos outros elementos. Inspirada na estética Japandi, a estante acompanha a arquitetura e estabelece diálogo com o muxarabi, a bancada central e o mobiliário. As prateleiras horizontais de madeira ajudam a manter a sensação de leveza, mesmo ocupando uma extensão significativa da parede.

A iluminação completa a composição. Em vez de destacar toda a estrutura de maneira uniforme, a luz valoriza pontualmente os aromas expostos e contribui para a atmosfera acolhedora da loja. Os próprios produtos deixam de ser apenas mercadorias e passam a participar da construção visual e sensorial do ambiente. “A estante permanece atual porque consegue reunir função, organização e identidade em um único elemento”, afirma Juliane.

*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte

  • Objetos decorativos ocupam os nichos da estante e reforçam a proposta de memória e afeto no Living Breton
    Objetos decorativos ocupam os nichos da estante e reforçam a proposta de memória e afeto no Living Breton Foto: Fotos: Edgard Cesar
  • No Entre, Pausa, a estante embutida transforma a própria parede em espaço de exposição para os aromas
    No Entre, Pausa, a estante embutida transforma a própria parede em espaço de exposição para os aromas Foto: Edgard Cesar
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postado em 04/10/2026 06:00
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