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A arquitetura sob outra luz: a sutil arte de esculpir ambientes

Mais do que iluminar, diferentes fontes e temperaturas de luz ajudam a criar sensações, destacar detalhes e transformar ambientes

Aline Silva e Amanda Beatriz - Espaço Do Traço ao Sabor -  (crédito: Edgard Cesar)
Aline Silva e Amanda Beatriz - Espaço Do Traço ao Sabor - (crédito: Edgard Cesar)

A iluminação deixou de ocupar apenas uma função prática nos projetos de arquitetura e decoração. Hoje, ela também participa da construção da identidade dos ambientes, ajudando a destacar materiais, criar sensações e transformar a percepção sobre os espaços. A escolha da temperatura, da intensidade e da direção da luz pode fazer com que um mesmo cômodo assuma diferentes atmosferas ao longo do dia.

No ambiente Do traço ao sabor, desenvolvido pela designer de interiores Aline Silva e pela arquiteta Amanda Beatriz Silva para a CasaCor Brasília 2026, a iluminação foi pensada como parte da experiência proposta ao visitante. Por se tratar de uma chocolateria, o projeto buscou criar uma atmosfera acolhedora e sensorial, na qual a luz conversa diretamente com os materiais, as formas e os elementos utilizados na composição.

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Segundo Aline, a iluminação foi planejada para revelar justamente os elementos que deveriam chamar a atenção no ambiente. Formas, texturas, volumes e sensações foram considerados durante a definição dos pontos de luz. Dessa maneira, o recurso deixa de ser apenas uma ferramenta para clarear o espaço e passa a integrar a narrativa criada pelas profissionais.

A escolha mostra como a iluminação pode modificar a maneira como um material é percebido. Dependendo da posição da fonte de luz, uma superfície pode ganhar mais textura, profundidade ou movimento. No projeto da chocolateria, esse recurso foi utilizado para fazer com que um elemento já marcante da decoração ganhasse ainda mais presença.

Antes de escolher uma luminária, no entanto, é necessário entender o ambiente e a maneira como ele será utilizado. Aline explica que a função do espaço, a sensação que se pretende transmitir e os elementos que devem receber destaque são alguns dos pontos considerados. “A iluminação precisa acompanhar tudo isso”, afirma a designer, que defende um equilíbrio entre função, conforto e atmosfera.

No Do traço ao sabor, essa definição também precisou considerar a funcionalidade da chocolateria. Era necessário garantir iluminação suficiente para as mesas e o balcão, sem abrir mão da atmosfera mais acolhedora. O resultado veio da combinação entre diferentes fontes e intensidades de luz, capazes de atender às necessidades práticas e, ao mesmo tempo, contribuir para a experiência do público.

Outro elemento levado em consideração foi a entrada de luz natural. As profissionais trabalharam com a iluminação que já fazia parte do espaço e acrescentaram pontos artificiais para complementar a composição. Dessa forma, diferentes momentos do dia podem produzir percepções distintas sobre o ambiente, sem que a iluminação artificial precise competir com a luz externa.

Detalhes em destaque

Em outros projetos de interiores, a iluminação também pode assumir o papel de destacar elementos específicos da decoração. Para a arquiteta Alessandra Oliveira, a luz funciona quase como uma curadoria, já que pode determinar quais elementos receberão maior atenção dentro da composição. “A iluminação pode funcionar quase como uma curadoria dentro do ambiente: ela direciona o olhar e define o que merece ser percebido”, explica.

Uma obra de arte, por exemplo, pode ganhar protagonismo por meio de uma iluminação direcionada. O mesmo pode acontecer com revestimentos, plantas, móveis e objetos decorativos. Quando bem posicionada, a luz cria profundidade e presença, permitindo que diferentes pontos de interesse sejam estabelecidos dentro de um mesmo ambiente. Essa organização também cria uma espécie de hierarquia visual. Nem tudo precisa receber a mesma quantidade de luz ou chamar a atenção ao mesmo tempo. Alguns elementos podem ser colocados em evidência, enquanto outros permanecem mais discretos. 

No consultório CBV Prestige, idealizado pelas arquitetas Angela Feitoza e Maria Carolina Feitoza para a CasaCor, a iluminação foi pensada com muito primor e carinho. Esse componente é utilizado não apenas como um elemento funcional, mas como parte integrante do design e da experiência de quem visita o espaço. “Por se tratar de um consultório oftalmológico, buscamos equilibrar precisão técnica, conforto visual e uma atmosfera acolhedora. A proposta foi criar uma iluminação que acompanhasse a arquitetura e, ao mesmo tempo, valorizasse cada elemento do projeto”, destacam as especialistas.

Com isso, perfis de LED, iluminação embutida, pontos direcionados e elementos luminosos integrados à marcenaria foram utilizados para criar profundidade, destacar materiais e valorizar a composição do ambiente. Além do caráter cênico, a iluminação é adaptável às necessidades da consulta oftalmológica, permitindo ao médico ajustar a intensidade e a configuração da luz de acordo com cada procedimento e momento do atendimento.

Quando a luz muda o espaço

Em ambientes pequenos, iluminar paredes, planos verticais ou elementos localizados mais ao fundo pode criar uma sensação maior de profundidade. Assim, a luz se torna uma ferramenta para fazer o cômodo parecer mais amplo sem que seja necessário realizar alterações na arquitetura. Quando o objetivo é criar aconchego, Alessandra Oliveira aponta que uma iluminação mais quente e pontual pode ajudar a estabelecer áreas de permanência. Em vez de distribuir a mesma intensidade por todo o ambiente, a ideia é criar diferentes níveis de luz. Para alcançar uma atmosfera sofisticada, por outro lado, a precisão dos pontos luminosos pode ser mais importante do que a quantidade de luminárias.

Seja em um projeto elaborado para uma mostra de arquitetura, seja na decoração de uma residência, a iluminação pode assumir diferentes funções. Ela pode destacar uma textura, criar aconchego, ampliar visualmente um espaço ou simplesmente ajudar a estabelecer a atmosfera desejada. Quando planejada junto aos demais elementos, deixa de ser apenas uma necessidade funcional e passa a fazer parte da própria identidade do ambiente.

 

*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte

  • Aline Silva e Amanda Beatriz - Espaço Do Traço ao Sabor
    Aline Silva e Amanda Beatriz - Espaço Do Traço ao Sabor Foto: Edgard Cesar
  • Alessandra Oliveira - Espaço São Geraldo/Luner Construtora
    Alessandra Oliveira - Espaço São Geraldo/Luner Construtora Foto: Edgard Cesar
  • No consultório CBV PRESTIGE, a iluminação foi pensada com muito cuidado
    No consultório CBV PRESTIGE, a iluminação foi pensada com muito cuidado Foto: Edgar César
  • Por ser um consultório, as luzes também precisaram se adequar a expectativa do paciente
    Por ser um consultório, as luzes também precisaram se adequar a expectativa do paciente Foto: Edgar César
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    Acesse o QR Code para saber mais sobre a votação Foto: Print
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postado em 13/09/2026 06:00
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