Pesquisadores do Japão e dos Estados Unidos desenvolveram um novo sistema de ultrassom 3D capaz de identificar fissuras, vazios e outras falhas internas em diferentes tipos de concreto sem causar qualquer dano à estrutura. A tecnologia combina ondas ultrassônicas (sons de alta frequência), algoritmos avançados de processamento de imagem e um vibrômetro a laser Doppler (LDV), responsável por medir vibrações quase imperceptíveis geradas quando essas ondas encontram irregularidades no material.
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Segundo estudo publicado na revista Applied Physics Letters, essas microvibrações funcionam como verdadeiros "sinais de alerta": quanto mais frágil ou comprometido o concreto, mais intensas e distintas são as respostas obtidas. Os algoritmos analisam esses sinais e os convertem em imagens tridimensionais detalhadas, criando um mapa preciso da integridade interna da estrutura.
Yoshikazu Ohara, um dos autores da pesquisa, explicou ao Correio que o sistema fornece informações práticas em 3D sobre a localização, profundidade, forma e extensão de defeitos internos, como delaminações e fissuras. "Esses dados ajudam engenheiros e técnicos de manutenção a avaliar a gravidade dos danos, planejar reparos mais direcionados e priorizar intervenções sem danificar a estrutura ou interromper seu uso, algo especialmente importante em infraestruturas de concreto envelhecidas", destacou.
O engenheiro civil e especialista em engenharia diagnóstica Giovani Paschoal explica que, diferentemente do corpo humano ou do aço, o concreto é um material altamente heterogêneo, composto por cimento, pedras de diferentes tamanhos e areia. Essa composição irregular faz com que ondas sonoras convencionais se dispersem e percam intensidade rapidamente, resultando, na maioria das vezes, em imagens borradas e de difícil interpretação. Além disso, os sistemas mais antigos utilizavam apenas um único tipo de som, com frequência fixa. "O novo sistema trabalha com ondas de banda larga, que reúnem diversas frequências simultaneamente. Isso é fundamental porque não se sabe, previamente, quais frequências conseguirão atravessar aquela mistura específica de pedras e cimento", explica Paschoal.
Outro diferencial apontado pelo engenheiro é a capacidade de autoadaptação do equipamento. "Em vez de exigir ajustes manuais constantes por parte do técnico, o sistema emite todas as frequências e permite que o próprio concreto 'filtre' aquelas que conseguem atravessá-lo. O aparelho capta automaticamente os sinais remanescentes, garantindo o melhor contraste possível entre as áreas defeituosas e o material saudável." Para Paschoal, a tecnologia é um marco para a segurança das cidades, pois permite planejar consertos de forma muito mais eficiente e econômica, garantindo a durabilidade de infraestruturas vitais. (Rafaela Leite)
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