Memória tátil

IA ajuda no aprendizado de braille para pessoas com deficiência visual

Chamado LUCID, o equipamento une estímulos táteis e orientações por áudio, enquanto a IA acompanha o desempenho do estudante e adapta as instruções em tempo real

Pesquisadores da Universidade de Houston, nos Estados Unidos, desenvolveram um dispositivo que usa inteligência artificial (IA) para ajudar na aprendizagem do sistema braille, uma das principais ferramentas de acesso à leitura e à escrita para pessoas com deficiência visual. Chamado LUCID, o equipamento une estímulos táteis e orientações por áudio, enquanto a IA acompanha o desempenho do estudante e adapta as instruções em tempo real. 

Criado pelo francês Louis Braille e oficializado em Paris, em 1843, o código braille é formado por combinações de pontos em relevo identificadas pelo tato. O sistema permite representar letras, números, sinais de pontuação e outros símbolos. O LUCID busca justamente facilitar essa etapa de aprendizagem. A combinação entre recursos táteis e sonoros permite que o usuário receba instruções enquanto realiza os exercícios, tornando o processo mais interativo.

De acordo com os pesquisadores, o sistema do Lucid é dividido em duas etapas. A primeira utiliza o Lucid-ALT, dispositivo com um teclado ampliado formado por seis pontos. A estrutura permite que o usuário explore diferentes combinações pelo tato e compreenda como a posição dos pontos forma os caracteres braille. Na segunda fase, o estudante passa ao Lucid-ARC, que apresenta os caracteres em um visor braille em escala real. A etapa busca aproximar o aprendizado de situações e equipamentos encontrados no cotidiano de pessoas que utilizam o sistema de escrita tátil.

Mecanismo 

Segundo os cientistas, durante os exercícios, a IA acompanha as interações e identifica as dificuldades apresentadas pelo usuário. Com base nessas informações, fornece orientações e adapta as atividades. O tato é usado para reconhecer os caracteres, enquanto o áudio auxilia na execução das tarefas. Para Marcelo Sales, especialista em acessibilidade e fundador da empresa Tudo é Acessibilidade, o uso da IA pode tornar o aprendizado mais autônomo. Segundo ele, a tecnologia pode adaptar os exercícios ao nível de conhecimento do estudante e reduzir a necessidade de acompanhamento contínuo de um instrutor. 

Sales, porém, ressalta que a tecnologia não deve substituir o acompanhamento profissional. A familiaridade com recursos digitais varia entre os usuários e pode interferir na adaptação ao sistema. "Algumas pessoas se adaptarão facilmente, outras terão uma dificuldade maior no processo, incluindo a tecnologia. A proficiência técnica de todas as pessoas é diferente", explica.

Outro cuidado, segundo o especialista, envolve a avaliação feita pela IA. Embora consiga identificar padrões e adaptar as atividades, o sistema não deve ser a única referência para medir o desempenho do estudante. "Não tem como deixar de lado a necessidade de ter pessoas ou profissionais avaliando aqueles resultados. Se você cria uma dependência da inteligência artificial sem orientação ou verificação do que está sendo aplicado, não há garantia dos resultados", afirma.

De acordo com Sales, o uso de IA em tecnologias assistivas deve combinar automação e avaliação humana. "É importante ter tecnologia para escalar, mas, ao mesmo tempo, é preciso criar um método de avaliação. E essa avaliação não vai depender de máquinas, mas de humanos."(RL)

 


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