Wagner Moura escolheu um terno branco da Maison Margiela para o Globo de Ouro, com styling de Ilaria Urbinati. Minimalista e preciso, o visual ganhou força justamente no contraste entre a alfaiataria clássica e a ousadia conceitual do sapato Tabi.
No visual de Wagner Moura, o Tabi não aparece como acessório secundário. O modelo da Maison Margiela reforça a identidade conceitual da marca e quebra a formalidade do terno, mostrando como o calçado pode redefinir a leitura de um look clássico.
Fundada em 1988, em Paris, a Maison Margiela nasceu como uma casa de moda antissistema. Desde o início, recusou o luxo óbvio e apostou na desconstrução, no anonimato e na valorização do processo criativo acima da assinatura.
Belga, formado na Academia de Antuérpia e ex-assistente de Jean Paul Gaultier, Martin Margiela ficou conhecido por evitar a fama. Sem entrevistas ou aparições públicas, construiu um dos legados mais influentes da moda contemporânea.
Margiela revolucionou a moda ao expor forros, costuras e estruturas internas das roupas. Peças remontadas, tecidos reaproveitados e volumes inesperados desafiaram a ideia tradicional de acabamento e luxo, criando a chamada 'antimoda'.
O Tabi surgiu na primeira coleção da marca, em 1989, inspirado nas meias tradicionais japonesas de bico dividido. Na passarela, o sapato causou estranhamento imediato e se tornou um dos símbolos mais duradouros da maison.
Ao unir referências orientais e design conceitual europeu, o Tabi propõe outra relação com o corpo e o caminhar. A separação dos dedos cria uma silhueta quase alienígena, que questiona padrões de beleza e funcionalidade.
Inicialmente visto como estranho, o Tabi conquistou status de ícone. Hoje, aparece em versões que vão de botas e sapatilhas a loafers e tênis, usado por fashionistas, artistas e celebridades que valorizam moda autoral.