A conquista é tratada no ambiente artístico como o “Oscar dos Quadrinhos”, pois é a maior premiação do universo das HQs.
O prêmio para Bilquis Evely foi dado pelo livro “Helen de Wyndhord”, uma graphic novel publicada pela editora Dark House e lançada em território brasileiro pela editora Suma.
Evely já tinha recebido uma indicação ao Eisner em 2022 por “Supergirl: A Mulher do Amanhã”. A obra será adaptada para a DC Comics para o cinema.
Outros artistas brasileiros já levaram o Eisner. Em 2022, por exemplo, Fido Nesti foi laureado em Melhor Adaptação de Outra Mídia e Mike Deodato por Melhor Publicação de Humor.
Na disputa da edição de 2025, outro brasileiro, Matheus Lopez, concorreu na categoria de Melhor Colorista por “Batman & Robin: Year One”, mas não foi premiado.
Bilquis Evely nasceu na cidade de Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, no dia 20 de julho de 1990.
Desde muito jovem, ela demonstrou talento para o desenho. Na escola, recebia encomendas de professores e funcionários.
Aos 16 anos, após se encantar com uma HQ da “Supergirl” de produção brasileira, decidiu se matricular em uma escola de quadrinhos para aprofundar sua técnica e consolidar seu sonho profissional .
O primeiro trabalho editorial da artista brasileira foi publicado em 2009, na revista “Luluzinha Teen e Sua Turma”, uma versão em estilo mangá da personagem de quadrinhos e desenhos animados Luluzinha.
Em 2012, ela estreou no mercado americano ilustrando histórias como “Doc Savage” e “Shaft” para a editora de quadrinhos Dynamite Entertainment.
Em 2015, ela recebeu convite da DC Comics para participar da série “Bombshells”, desenhando a Supergirl em traços que rapidamente conquistaram reconhecimento .
Em seguida, trabalhou em títulos como “Sugar and Spike, Wonder Woman”, em 2016, e na série “The Dreaming”, escrita por Si Spurrier, onde criou arte com linhas detalhadas e atmosferas oníricas.
Em 2021, Bilquis colaborou com o roteirista Tom King e o colorista Matheus Lopes na minissérie “Supergirl: A Mulher do Amanhã”. A obra recebeu aclamação da crítica e foi indicada ao Prêmio Eisner 2022 como melhor série limitada. Além disso, foi anunciada como inspiração para um filme da DC que tem lançamento previsto para 2026.
Em entrevista à revista Veja, Bilquis revelou que desenhar a Supergirl foi uma espécie de retorno emocional, pois a personagem a inspirou quando tinha apenas 16 anos. “Fechei um ciclo”, declarou.
Em 2024, Bilquis lançou “Helen de Wyndhorn” , sua primeira série autoral, novamente com Tom King como roteirista. O épico gótico de espada e magia que mostra sua versatilidade e maturidade artística, deu a ela agora o inédito troféu Eisner.
Em 2020, ela já havia recebido o Rudolph Dirks Award, na Alemanha, como melhor artista de quadrinhos da América do Sul por “Sandman Universe: The Dreaming”, e em 2022, o Troféu HQ Mix como artista brasileira de relevância internacional .
A quadrinista brasileira traz em sua arte influências clássicas do quadrinho europeu, com clareza narrativa e composição cuidadosa.
Em “The Dreaming”, por exemplo, ela afirma que cada página dupla representava um quebra-cabeças artístico complexo, exigindo ajustes no traço e ritmo visual conforme o clima do enredo.
Evely mantém forte presença nas redes sociais, onde compartilha bastidores de seu processo criativo e projetos futuros.