Pesquisadores classificaram o local como “bat cave” e “hot cave”, denominações atribuídas a cavernas que concentram grandes colônias desses animais e apresentam mudanças significativas de temperatura e umidade em seu interior.
A cavidade foi localizada há cerca de dois anos durante uma expedição voltada à procura do macaco-prego-galego. Desde então, o ambiente vem sendo acompanhado por especialistas.
De acordo com análises lideradas pela bióloga Jennifer Barros, da 'Bat Conservation International', o ambiente mantém-se acima dos 30°C com quase 100% de umidade.
Essa configuração térmica é estratégica para a sobrevivência das espécies registradas (Pteronotus gymnonotus e Pteronotus personatus), funcionando como uma espécie de berçário natural.
Nas colônias, o calor gerado pela aglomeração dos adultos é essencial para o desenvolvimento dos filhotes, que nascem sem pelos e dependem dessa estabilidade climática nas primeiras cinco semanas de vida.
Embora o Nordeste já possua registros semelhantes em estados como Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, o achado em Alagoas é considerado raro pois amplia a área conhecida de ocorrência dessas formações naturais.
Das mais de 30 mil cavernas catalogadas no Brasil, apenas cerca de 20 recebem a classificação de 'bat cave'. A contagem dos indivíduos foi realizada por meio de filmagens durante a revoada de saída dos animais, confirmando a magnitude do grupo.
Atualmente, o acesso à cavidade é restrito por questões de segurança e conservação. Especialistas alertam que a interferência humana pode desestabilizar o ecossistema interno e colocar em risco a reprodução das espécies.
Além disso, existe a preocupação com o abate indiscriminado de morcegos por populações locais que os confundem com espécies hematófagas (que se alimentam de sangue).
Diante desse cenário, Marcos Araújo, coordenador da SOS Caatinga, ressalta a necessidade urgente de políticas de educação ambiental e apoio logístico para explorar e proteger outras possíveis cavernas com características similares na região.
Segundo o biólogo Enrico Bernard, a identificação de grandes colônias — inclusive com espécies ameaçadas — tem grande importância para a conservação ambiental e também beneficia comunidades próximas, já que esses animais consomem grandes quantidades de insetos.