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‘Batcaverna do Sertão’: pesquisadores descobrem cavidade com mais de 20 mil morcegos em Alagoas


Uma expedição da ONG SOS Caatinga no município de Belo Monte, no Sertão de Alagoas, revelou uma descoberta científica de grande relevância: uma caverna de 500 metros de extensão com uma colônia de mais de 21 mil morcegos.

Por Flipar
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Pesquisadores classificaram o local como “bat cave” e “hot cave”, denominações atribuídas a cavernas que concentram grandes colônias desses animais e apresentam mudanças significativas de temperatura e umidade em seu interior.

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A cavidade foi localizada há cerca de dois anos durante uma expedição voltada à procura do macaco-prego-galego. Desde então, o ambiente vem sendo acompanhado por especialistas.

Juan Cruzado Cortés/iNaturalist

De acordo com análises lideradas pela bióloga Jennifer Barros, da 'Bat Conservation International', o ambiente mantém-se acima dos 30°C com quase 100% de umidade.

Reproduc?a?o/TV Gazeta de Alagoas

Essa configuração térmica é estratégica para a sobrevivência das espécies registradas (Pteronotus gymnonotus e Pteronotus personatus), funcionando como uma espécie de berçário natural.

iNaturalist/Juan Cruzado Cortés

Nas colônias, o calor gerado pela aglomeração dos adultos é essencial para o desenvolvimento dos filhotes, que nascem sem pelos e dependem dessa estabilidade climática nas primeiras cinco semanas de vida.

Divulgac?a?o

Embora o Nordeste já possua registros semelhantes em estados como Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, o achado em Alagoas é considerado raro pois amplia a área conhecida de ocorrência dessas formações naturais.

Jennifer Barros/ICMBio/Cecav

Das mais de 30 mil cavernas catalogadas no Brasil, apenas cerca de 20 recebem a classificação de 'bat cave'. A contagem dos indivíduos foi realizada por meio de filmagens durante a revoada de saída dos animais, confirmando a magnitude do grupo.

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Atualmente, o acesso à cavidade é restrito por questões de segurança e conservação. Especialistas alertam que a interferência humana pode desestabilizar o ecossistema interno e colocar em risco a reprodução das espécies.

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Além disso, existe a preocupação com o abate indiscriminado de morcegos por populações locais que os confundem com espécies hematófagas (que se alimentam de sangue).

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Diante desse cenário, Marcos Araújo, coordenador da SOS Caatinga, ressalta a necessidade urgente de políticas de educação ambiental e apoio logístico para explorar e proteger outras possíveis cavernas com características similares na região.

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Segundo o biólogo Enrico Bernard, a identificação de grandes colônias — inclusive com espécies ameaçadas — tem grande importância para a conservação ambiental e também beneficia comunidades próximas, já que esses animais consomem grandes quantidades de insetos.

iNaturalist/Juan Cruzado Cortés