O reservatório é considerado o de maior armazenamento do setor elétrico brasileiro, segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Além da produção energética própria, a barragem desempenha um papel fundamental na regularização do fluxo do rio, garantindo maior controle sobre o volume e a vazão das águas ao longo do ano e reduzindo os impactos de cheias e estiagens.
A condição beneficia diversas usinas situadas rio abaixo, como Cana Brava, São Salvador, Peixe Angical, Lajeado, Estreito e, de forma mais acentuada, a usina de Tucuruí, que depende diretamente dessa estabilidade para manter sua capacidade operacional e eficiência na geração de energia.
Por estar em um rio de jurisdição federal, a região conta com a fiscalização do Governo Federal e possui normas rígidas sobre o uso de seus recursos hídricos, que se destinam exclusivamente à geração de eletricidade e ao lazer, com proibição expressa para atividades de irrigação.
Os municípios que compõem esse circuito oferecem condições favoráveis tanto para esportes náuticos quanto para o ecoturismo, impulsionados pelas águas alcalinas do lago, que dificultam a proliferação de insetos e contribuem para uma experiência mais agradável aos visitantes.
Em Minaçu, um dos principais pontos de acesso, o lago de Cana Brava abriga a conhecida Praia do Sol, que atrai turistas em busca de lazer e contato com a natureza. Já em Porangatu, a Lagoa Grande se destaca por suas propriedades medicinais e pela oferta de esportes radicais, enquanto a cidade preserva traços marcantes dos séculos 18 e 19 em sua arquitetura.
A transparência da água do lago de Serra da Mesa e a presença de árvores submersas favorecem o habitat dos peixes e atraem praticantes que utilizam iscas artificiais. As cidades de Uruaçu e Niquelândia consolidaram uma infraestrutura voltada à atividade, com torneios que movimentam o turismo local, pousadas especializadas e guias experientes.
A construção da barragem foi concluída em 24 de outubro de 1996, com o início da formação do reservatório a partir dessa data, que ficou cheio em 1998. A entrada em operação de Serra da Mesa representou uma solução definitiva para o abastecimento elétrico de Goiás e, em especial, do Distrito Federal.
Para se ter dimensão da grandeza do Lago de Serra da Mesa, o reservatório tem largura máxima de 13 quilômetros e profundidades que superam 60 metros em vários pontos, com a formação de paredes submersas, vales alagados e microambientes aquáticos singulares.
O lago foi formado no curso do Rio Maranhão, afluente do Rio Tocantins, e possui diversos outros afluentes, entre os quais se destacam os rios das Almas, Tocantinzinho, Bagagem, Traíras, do Peixe, da Mula, Vai-Vem, Palmeira, Prata Grande e Passa-3.
O tamanho do reservatório foi especificamente calculado para garantir maior estabilidade operacional nos períodos de seca extrema, característica marcante da região Centro-Oeste e do norte de Goiás. O imenso volume funciona como um regulador, assegurando fluxo constante de energia para as turbinas mesmo em anos de estiagem severa.
A construção da usina foi duramente criticada por ambientalistas. Organizações como a Rede Internacional de Rios apontaram a destruição de vasta fauna e flora, com espécies ameaçadas de extinção, além da inundação de sítios arqueológicos.
Para preservar o que as águas cobriram, surgiu o Memorial Serra da Mesa, que tem como objetivo salvaguardar a história da região impactada pela construção do lago, promover a educação ambiental, incentivar a pesquisa e favorecer a interação com a comunidade regional.