De acordo com o site especializado “Deadline”, Pavel Talankine foi impedido de levar a estatueta na cabine como bagagem de mão por decisão dos agentes de segurança dos Estados Unidos. A Administração de Segurança nos Transportes (TSA) considerou que o objeto de quase quatro quilos oferecia risco, podendo ser usado como arma, o que levou a companhia a acondicioná-lo em uma caixa de papelão. Ao desembarcar na Alemanha, no entanto, o prêmio não foi encontrado entre seus pertences.
Em nota, a Lufthansa confirmou que o item foi recuperado em Frankfurt e que fez contato com o diretor russo para providenciar a devolução o quanto antes, preferencialmente de forma presencial. “Podemos confirmar que a estatueta do Oscar está agora em nosso poder em Frankfurt”, destacou a companhia em um comunicado oficial.
Em entrevista ao “Deadline”, o cineasta afirmou ter se surpreendido com a decisão das autoridades americanas. Talankine contou que já havia viajado anteriormente com a estatueta sem qualquer impedimento. “Não faz sentido tratar um Oscar como se fosse uma arma”, disse ao chegar a Frankfurt, lembrando que, em ocasiões anteriores, o objeto sempre foi transportado na cabine sem problemas.
Ainda segundo a publicação, um funcionário da Lufthansa chegou a dar a sugestão de acompanhar o diretor até o embarque, comprometendo-se a se responsabilizar pelo transporte seguro da estatueta durante o voo. A proposta, porém, acabou sendo recusada por um agente de segurança estadunidense.
Nascido em março de 1991, Talankine ganhou projeção internacional ao conquistar o Oscar de melhor documentário em parceria com o diretor americano David Borenstein. A obra premiada, produzida pela BBC, reúne imagens que o cinegrafista fez de forma clandestina em uma escola primária em Karabash, na Rússia, onde era professor. A história mostra a implementação de conteúdos escolares com viés patriótico e pró-guerra pelo governo de Vladimir Putin, no contexto do conflito com a Ucrânia.
Pasha, como é conhecido, deixou sua residência nos Montes Urais em 2024 por se opor ao regime de Putin. Ele, que era coordenador de eventos e videomaker de escola infantil, tornou-se em dois anos um vencedor do Oscar.