No início dos anos 2000, a paleontóloga Mary Schweitzer anunciou a descoberta de possíveis vestígios de tecido mole e fragmentos de proteínas preservados dentro de ossos do animal, algo considerado improvável para um organismo extinto há cerca de 66 milhões de anos. Desde então, a interpretação desses achados divide especialistas. Alguns acreditam que os fragmentos sejam autênticos, enquanto outros defendem que possam ter origem em bactérias ou outros processos naturais.
Com base nesses dados controversos, cientistas ligados à empresa The Organoid Company desenvolveram uma sequência proteica artificial. Para isso, utilizaram os fragmentos encontrados nos fósseis e recorreram à inteligência artificial para preencher as lacunas existentes. Como as aves são os parentes vivos mais próximos dos dinossauros, proteínas de frango serviram como referência para a construção do material utilizado no couro cultivado em laboratório.
Especialistas da área de paleoproteômica (a técnica de extração e sequenciamento de proteínas antigas preservadas em fósseis e restos subfósseis) observam, porém, que a maior parte da composição (90%) criada deriva de modelos modernos, especialmente de galinhas, e não de proteínas genuínas de T. rex.
Por esse motivo, há consenso de que a bolsa não contém material autêntico de dinossauro, embora represente um experimento tecnológico inovador. Mesmo cercado de controvérsias, o projeto destaca os avanços da biotecnologia aplicada à produção de couro sintético e mostra como o fascínio pelos dinossauros continua forte décadas após a popularização de obras como 'Jurassic Park'.
Para os pesquisadores envolvidos, a iniciativa busca explorar novas possibilidades de materiais sustentáveis. 'Acho que somos realmente gratos por essas críticas. Elas são a base da exploração científica... Acho que isso é o mais próximo que alguém já chegou — e provavelmente chegará — de criar algo que seja de T. rex', declarou Thomas Mitchell, CEO da The Organoid Company.