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Conheça o mistério por trás da Ilha das Bonecas, destino cercado por lendas no México


A mística e assustadora Ilha das Bonecas, conhecida localmente como 'Isla de las Muñecas', carrega a fama de ser um dos lugares mais misteriosos do México. Escondido nos canais de Xochimilco, ao sul do centro da capital mexicana, o lugar ocupa uma pequena chinampa, espécie de ilha artificial construída sobre áreas alagadas, técnica agrícola utilizada desde os tempos dos povos indígenas do Vale do México. A ilha ganhou fama internacional por causa das centenas, e possivelmente milhares, de boneca

Por Flipar
Reprodução do Youtube Canal AFP

Muitas dessas bonecas apresentam sinais avançados de deterioração e estão sem braços, sem olhos, cobertas por musgo, sujeira e marcas do tempo, o que cria uma atmosfera considerada perturbadora por muitos visitantes. A origem dessa paisagem incomum está ligada à história de Don Julián Santana Barrera, antigo morador da ilha. Segundo a lenda mais conhecida, ele encontrou o corpo de uma menina que teria se afogado em um dos canais próximos.

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Pouco depois, uma boneca teria surgido flutuando na água. Don Julián acreditou que o brinquedo pertencia à criança e decidiu pendurá-lo em uma árvore como homenagem e forma de respeito. Com o passar dos anos, ele afirmou ouvir vozes, passos e sons estranhos durante a noite. Convencido de que o espírito da menina permanecia na região, passou a recolher bonecas descartadas em lixões, canais e mercados para espalhá-las pela ilha.

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O hábito se transformou em uma obsessão que durou décadas. Cada nova boneca representava, segundo ele, uma tentativa de afastar maus espíritos ou agradar a alma da criança. Muitas peças chegavam já danificadas, o que contribuiu para o aspecto macabro do cenário.

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Don Julián afirmava ouvir choros, sussurros noturnos e passos misteriosos ao redor de sua residência, sinais claros de que o espírito exigia constante atenção. Para aplacar a ira da suposta assombração, ele passou a vasculhar lixões e a trocar vegetais de sua própria horta por novos exemplares com os vizinhos.

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O homem jamais limpava ou consertava os itens recebidos, de modo que a ação severa do clima e do sol aos poucos foi deteriorando o plástico. Moscas, teias de aranha e fungos escuros cobriram as peças expostas, conferindo um aspecto cadavérico e mutilado a cada uma das bonecas penduradas.

Wikimedia/Wa17gs

Embora não exista comprovação da história do afogamento, a narrativa se tornou parte essencial do folclore local. Muitas pessoas questionavam a veracidade do ocorrido sob o argumento de que a lenda poderia derivar de uma ilusão criada pela solidão de Don Julián.

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A fama do lugar cresceu rapidamente e transformou a ilha em um dos destinos mais curiosos do México. Em 2001, um acontecimento reforçou ainda mais os mitos associados ao local: Don Julián morreu afogado em uma área do canal próxima ao ponto onde dizia ter encontrado a criança décadas antes.

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Após sua morte, familiares assumiram a administração da propriedade e mantiveram as bonecas expostas, preservando a principal característica da atração. Atualmente, o acesso acontece por meio das tradicionais trajineras, embarcações coloridas que percorrem os canais de Xochimilco e oferecem passeios turísticos pela região.

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Até hoje, vários visitantes levam as próprias bonecas como oferenda para manter a tradição viva e pedir proteção contra as supostas energias densas que habitam o matagal. Muitos relatam sensação de desconforto ao observar os rostos desgastados das bonecas encarando diferentes direções.

Divulgação

Outros afirmam ouvir ruídos estranhos ou perceber movimentos provocados pelo vento, interpretações que alimentam histórias paranormais. Apesar da fama de assombrada, a ilha também possui importância cultural e antropológica por representar uma mistura singular de crenças populares, tradição, religiosidade e construção cultural do imaginário coletivo.

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Em 1987, Xochimilco foi reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO por sua importância histórica e cultural. A região preserva os antigos canais e chinampas construídos pelos povos pré-hispânicos, especialmente os astecas, que utilizavam essas ilhas artificiais para a agricultura.

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