Os impactos já são significativos: populações locais do lagarto sofreram quedas drásticas e dez grupos isolados desapareceram completamente. Desde 2016, mais de 16 mil cobras foram capturadas ou abatidas, mas especialistas alertam que a expansão continua. Além de seu valor biológico, os lagartos desempenham funções importantes nos ecossistemas, como dispersão de sementes e controle de insetos.
Diante do risco de extinção, cientistas trabalham para preservar a diversidade genética da espécie por meio de pesquisas e programas de reprodução em cativeiro. Instituições como o Zoológico de Barcelona já obtiveram os primeiros nascimentos de filhotes, em uma tentativa de garantir a sobrevivência de linhagens ameaçadas. Para os pesquisadores, a perda dessas animais representa uma grave ameaça à biodiversidade mundial e a um patrimônio evolutivo construído ao longo de milhões de anos.
A cobra-ferradura, cientificamente denominada Hemorrhois hippocrepis, é uma espécie de serpente pertencente à família Colubridae, amplamente reconhecida por sua agilidade e padrão visual característico. O nome popular do réptil decorre de uma mancha escura em formato de ferradura localizada no topo de sua cabeça, com as pontas direcionadas para a região posterior do corpo.
Essa espécie, nativa de partes do sul da Europa e do norte da África, costuma apresentar um porte médio a grande, podendo atingir comprimentos que variam entre 1 e 2 metros, embora alguns exemplares possam ultrapassar esse tamanho. Uma curiosidade interessante sobre a cobra-ferradura é sua excelente capacidade de escalada.
Graças ao corpo ágil e musculoso, ela consegue subir em árvores, muros e formações rochosas com facilidade em busca de alimento ou abrigo. Outra característica marcante é sua longevidade, já que alguns exemplares podem viver mais de 15 anos em condições favoráveis.
Sua coloração varia entre tons de bege, amarelado, cinza e marrom, geralmente acompanhados por manchas escuras distribuídas ao longo do dorso. A espécie habita ambientes secos e quentes, como áreas rochosas, matagais mediterrâneos, campos agrícolas e regiões semiáridas.
A cobra-ferradura também consegue se adaptar a locais modificados pela atividade humana, o que contribui para sua expansão em determinadas áreas. A alimentação é composta principalmente por pequenos mamíferos, aves, lagartos e outros répteis, além de ovos quando disponíveis.
Como caçadora ativa, utiliza a visão aguçada para localizar presas e as captura por constrição, envolvendo o corpo ao redor da vítima antes de engoli-la inteira. Sua reprodução é ovípara, ocorrendo o acasalamento na primavera para que a fêmea realize a postura de até onze ovos sob pedras ou vegetação em decomposição.
Os filhotes nascem totalmente independentes e começam a caçar pouco tempo depois da eclosão. Durante os meses mais quentes, a espécie costuma apresentar maior atividade ao amanhecer e ao entardecer, evitando as horas de calor extremo. Nos últimos anos, a ausência de predadores naturais e a abundância de alimento favoreceram seu crescimento populacional.
O caso transformou a cobra-ferradura em um exemplo amplamente estudado dos impactos que espécies invasoras podem causar em ecossistemas insulares, onde o equilíbrio ecológico costuma ser mais frágil e vulnerável a mudanças repentinas.
Embora seja uma serpente não peçonhenta e inofensiva para os seres humanos, a cobra-ferradura pode demonstrar comportamento defensivo quando ameaçada, achatando o corpo, emitindo silvos e tentando aparentar ter um tamanho maior. Em seu habitat natural, ela exerce papel importante no controle de populações de pequenos vertebrados.