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Com roda de samba e presença de ‘fãs’: homem com câncer terminal organiza o próprio velório para celebrar a vida


Uma história inusitada em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, chamou a atenção nos portais de notícia brasileiros: um empresário de 47 anos decidiu organizar o próprio velório ainda em vida. A decisão de Tiago Martins Pitthan surgiu após o diagnóstico de um câncer de estômago sem possibilidade de cura. O evento ocorreu no dia 30 de maio, no antigo galpão de uma cervejaria, e contou com a presença de amigos, familiares e admiradores. Em vez de um ambiente marcado pelo luto, o encontro teve roda

Por Flipar
Reproduc?a?o/TV Globo

Segundo informações do g1, tudo começou durante a virada de ano de 2023 para 2024, quando Tiago começou a se sentir mal durante a ceia e, depois de passar meses fazendo exames, recebeu o diagnóstico de adenocarcinoma gástrico, uma variação de câncer de estômago. A expectativa inicial envolvia tratamento cirúrgico, mas os médicos constataram que o câncer já havia se espalhado para outras partes do organismo.

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A notícia confirmou que não havia possibilidade de cura, mas não alterou sua decisão de continuar aproveitando o tempo disponível da maneira mais intensa possível. 'Eu descobri que não tinha cura. Que teria de viver com aquilo; provavelmente, morrer daquilo [...] Quando recebi o diagnóstico, foi até um alívio. Eu sabia quem era o inimigo. E decidi: eu tenho câncer, mas o câncer não me tem', disse ele em entrevista à TV Globo.

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A ideia inusitada surgiu durante o velório do seu pai, em agosto de 2024. Tiago observou amigos e familiares contando histórias e relembrando momentos marcantes. Apesar das homenagens, sentiu falta de algo essencial: a presença da própria pessoa homenageada: 'Ninguém sabe mais sobre meu pai do que ele mesmo. Faltou ele ali.'

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A reflexão o levou a uma decisão inesperada: se um dia fosse celebrado por aqueles que ama, queria participar desse momento. E o que inicialmente seria um encontro restrito a amigos próximos acabou ganhando grande repercussão e atraindo pessoas de diferentes regiões do país.

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Entre os participantes da sua despedida estavam visitantes que viajaram centenas de quilômetros apenas para conhecê-lo e prestar apoio. Muitos se identificaram com sua forma de enfrentar a doença e encontraram inspiração em sua postura diante da finitude da vida.

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É o caso da servidora pública Lícia Freitas, de 43 anos, e o servidor público Ramon Santos, de 56 anos, que vieram de João Pessoa, na Paraíba. 'Me tocou bastante a história dele e ver como ele encara a vida abreviada', contou Lícia. 'Ele é um sujeito admirável e não deixou a proximidade da morte paralisar a vida', disse Ramon.

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Ao longo da celebração, Tiago fez questão de reforçar uma mensagem simples e direta: 'As pessoas perguntam para mim como é estar morrendo. E eu só tenho uma resposta para dar: eu não estou morrendo, eu estou vivendo. Eu vou morrer uma vez só. O resto do tempo eu estou vivendo.'

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Com roupas coloridas e cercado por demonstrações de carinho, Tiago passou horas conversando, ouvindo histórias, recebendo abraços e compartilhando emoções. 'Eu quero abraçar e ser abraçado. Eu quero receber carinho, dar carinho. Eu quero rir. Eu quero chorar de emoção', comentou.

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Em entrevista para o Fantástico, os irmãos de Tiago comentaram sobre sua decisão. “É a maneira dele querer que seja. Ele fez questão de usar essa palavra [velório]. O que a gente vai fazer lá é celebrar a vida dele', disse um dos irmãos. “Foi a forma que eu encontrei de lidar com tudo isso. Porque eu acho que é isso que vale a pena', disse a irmã caçula, que irá escrever um livro sobre a história de Tiago.

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O câncer de estômago é uma doença que se desenvolve a partir do crescimento descontrolado de células na parede do órgão. O tipo mais comum é o adenocarcinoma gástrico, responsável pela grande maioria dos casos diagnosticados. Esse tumor tem origem nas células glandulares que revestem internamente o estômago e pode se espalhar para outros tecidos e órgãos se não for tratado.

julien Tromeur/Unsplash

Entre os sintomas mais frequentes estão dificuldade para se alimentar, sensação de estômago cheio, perda de peso, dores abdominais, náuseas e fadiga. Nos estágios iniciais, a doença pode não apresentar sinais evidentes, o que dificulta o diagnóstico precoce. Fatores como tabagismo, histórico familiar e hábitos alimentares inadequados podem aumentar o risco de desenvolvimento da doença.

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