Na prática, essa arquitetura permite que assistentes virtuais, chatbots, ferramentas de produtividade e aplicações de criação de conteúdo funcionem com maior eficiência dentro do próprio equipamento. O conceito ganhou ainda mais relevância com a popularização dos chamados 'agentes de inteligência artificial', programas desenvolvidos para executar atividades de forma mais autônoma, ou seja, com quase nenhuma interferência humana.
A expectativa dos fabricantes é que os novos recursos atraiam consumidores que já utilizam inteligência artificial em atividades cotidianas, como redigir mensagens, organizar agendas, planejar viagens e automatizar rotinas de trabalho. Alguns sinais indicam que o interesse pelo segmento está crescendo.
A HP informou recentemente que os PCs com IA responderam por uma parcela cada vez maior de suas vendas de computadores, representando quase metade dos equipamentos comercializados no segundo trimestre de 2026. No entanto, nem todas as empresas observam o mesmo ritmo de crescimento.
A Dell, por sua vez, afirmou que a demanda ainda avança de forma mais lenta do que o esperado. Uma das características que diferenciam esses computadores com IA é a presença da chamada 'unidade de processamento neural' (NPU, na sigla em inglês).
Apesar do entusiasmo em torno da tecnologia, especialistas apontam obstáculos para sua expansão. Entre os desafios estão possíveis limitações no fornecimento de componentes, especialmente chips de memória, além do aumento dos custos de produção.
Algumas consultorias do setor alertam que a escassez de determinadas peças pode afetar o mercado global de computadores e pressionar os preços dos novos equipamentos. Além disso, outro tema que desperta debates envolve a privacidade dos usuários.
Em 2024, a Microsoft apresentou o recurso Recall, ferramenta criada para registrar atividades realizadas no computador e facilitar a localização de conteúdos acessados previamente. A proposta gerou questionamentos por armazenar um histórico detalhado do uso do aparelho, levando a empresa a adiar o lançamento e reforçar as medidas de segurança antes de disponibilizar a funcionalidade para parte do público.
Por outro lado, especialistas observam que a execução local de tarefas de inteligência artificial pode trazer benefícios nesse aspecto. Como parte do processamento ocorre dentro do próprio computador, diminui a necessidade de transferir informações pessoais para servidores externos, o que pode reduzir a exposição de dados sensíveis.