A população precisou reorganizar horários de trabalho, comércio e deslocamento para enfrentar uma realidade cada vez mais severa. No mercado de hortaliças de Atarra, por exemplo, produtores rurais apressam as vendas logo ao amanhecer para vender tomates, melões, limões, abóboras e pimentas antes que o calor comprometa a qualidade dos produtos. O movimento, que antes seguia até o fim da manhã, agora praticamente desaparece por volta das 10 horas.
O país enfrenta não apenas temperaturas elevadas, mas também índices crescentes de umidade, combinação que aumenta significativamente o estresse térmico sobre o organismo humano. A planície indo-gangética, onde se encontra Uttar Pradesh, no norte da Índia, é considerada uma das regiões mais suscetíveis a esse tipo de calor extremo.
Um estudo feito pela Universidade de Agricultura e Tecnologia de Banda aponta que uma parcela significativa das florestas locais desapareceu desde os anos 1990, principalmente devido à mineração e ao avanço da agricultura. Segundo pesquisadores, essa combinação de fatores tornou a região mais vulnerável às temperaturas extremas e prolongou seus efeitos ao longo do ano.
Cientistas alertam que ondas de calor cada vez mais frequentes e duradouras podem provocar milhares de mortes adicionais em Uttar Pradesh nas próximas décadas, especialmente entre idosos, trabalhadores expostos ao sol e famílias sem acesso a sistemas de refrigeração. Para os moradores de Banda, entretanto, a convivência com o calor faz parte da vida há gerações.