Segundo Mauricio Cortés, arquiteto mexicano responsável pela obra, a intenção sempre foi preservar o espírito do projeto original, adaptando apenas os aspectos necessários às normas contemporâneas. A trajetória da Sagrada Família, no entanto, esteve longe de ser simples.
Outro desafio histórico sempre foi o financiamento. Como 'templo expiatório', a basílica depende exclusivamente de doações e das receitas geradas pelos visitantes. Essa característica tornou a obra particularmente vulnerável a períodos de crise. Durante a pandemia de Covid-19, a queda brusca do turismo afetou significativamente os recursos disponíveis.
Nos últimos anos, porém, a recuperação do fluxo de visitantes devolveu o fôlego financeiro necessário para acelerar os trabalhos. Em 2025, quase cinco milhões de pessoas passaram pela basílica, confirmando seu status como uma das atrações turísticas mais importantes da Europa.
Apesar da inauguração da Torre de Jesus Cristo representar um momento histórico, a Sagrada Família ainda não pode ser considerada totalmente concluída. Os trabalhos seguem em diferentes áreas da construção, especialmente na Fachada da Glória, concebida por Gaudí como a entrada principal do templo.
A etapa envolve discussões urbanísticas complexas, incluindo propostas que podem afetar edifícios residenciais localizados em frente à basílica. O tema provoca preocupação entre moradores e comerciantes da região, que ainda aguardam definições sobre o futuro do projeto e temem até possíveis despejos para a construção de uma passagem que conectaria a futura entrada principal à rua debaixo, algo que teria sido imaginado por Gaudí na época.