O crescimento compacto das árvores cria uma cobertura espessa que reduz a incidência de luz em diversos pontos da floresta, produzindo um ambiente silencioso e de aparência quase misteriosa. Além disso, devido à dureza do solo vulcânico, as raízes das árvores não conseguem penetrar profundamente na terra, de modo que se espalham de forma intrincada pela superfície, o que confere ao local um aspecto retorcido e quase fantástico.
Aokigahara abriga também importantes formações naturais, como as cavernas de gelo e de vento, atrações bastante procuradas por turistas interessados em fenômenos geológicos. A mais famosa delas é a Narusawa Ice Cave, onde o gelo pode permanecer durante boa parte do ano graças às condições internas de temperatura. Outra atração conhecida é a Fugaku Wind Cave, utilizada historicamente para armazenamento de produtos devido ao clima frio constante.
A fauna da região inclui aves, pequenos mamíferos, raposas, cervos e diversas espécies de insetos. Apesar da reputação sombria que ganhou ao longo do tempo, a floresta possui grande importância ecológica e faz parte da área protegida do entorno do Monte Fuji, reconhecida como patrimônio cultural pela UNESCO.
O local atrai caminhantes, fotógrafos, pesquisadores e admiradores da natureza que buscam conhecer um dos ambientes mais peculiares do país. O silêncio característico da floresta costuma impressionar os visitantes. Essa atmosfera contribuiu para o surgimento de inúmeras lendas japonesas associadas ao lugar.
Algumas histórias mencionam espíritos conhecidos como y?rei, entidades do folclore japonês ligadas a mortes trágicas ou emoções não resolvidas. Essas narrativas ajudaram a consolidar a imagem de Aokigahara como um cenário misterioso e sobrenatural.
A fama internacional da floresta aumentou durante o século 20, especialmente após sua associação com casos de suicídio. Diversos fatores contribuíram para essa reputação, incluindo referências literárias e ampla cobertura da mídia. Entretanto, autoridades japonesas e organizações de saúde mental trabalham para evitar a romantização desse aspecto.
A literatura moderna também desempenhou um papel crucial na consolidação dessa imagem, especialmente após a publicação de um romance famoso na década de 1960, cujo enredo retrata um casal que escolhe o 'Mar de Árvores' para o seu ato final.
Placas instaladas nas trilhas incentivam pessoas em sofrimento emocional a buscar ajuda e entrar em contato com familiares ou profissionais especializados. Nos últimos anos, houve esforços para reduzir a divulgação sensacionalista relacionada ao local. Além disso, patrulhas regulares formadas por guardas florestais e voluntários percorrem as trilhas oficiais com o objetivo de identificar e abordar indivíduos em situação de vulnerabilidade mental.
Há ainda uma antiga lenda relacionada ao ubasute, uma prática mencionada em contos folclóricos japoneses segundo a qual idosos ou pessoas incapazes de se sustentar teriam sido abandonados em locais remotos durante períodos de extrema fome.
Objetos pessoais abandonados, como sapatos, roupas, barracas rasgadas e cartas de despedida apodrecidas pela umidade, permanecem intocados pelo tempo e criam cenários de terror. Bonecas cravadas em troncos de árvores com pregos, parte de rituais conhecidos como 'Ushi no Koku Mairi', também são vistas em áreas mais profundas.
A relevância geológica, ecológica e cultural da floresta é muito mais ampla. Aokigahara representa um exemplo notável da capacidade de regeneração da natureza sobre terrenos vulcânicos e oferece uma oportunidade única para compreender a interação entre atividade geológica, biodiversidade e tradições japonesas.
Entre raízes retorcidas, túneis de lava e árvores centenárias, Aokigahara permanece como um dos ambientes naturais mais fascinantes e enigmáticos do Japão, reunindo ciência, história, folclore e paisagens que contrastam fortemente com a imagem urbana frequentemente associada ao país.