Esse fenômeno está diretamente relacionado à formação de terremotos e tsunamis. Valeria também estuda a deformação estrutural das placas tectônicas para compreender como elas se rompem, onde surgem as falhas geológicas e quais materiais participam desses processos. Embora ainda não seja possível prever quando ocorrerá um terremoto, os dados obtidos contribuem para estimar suas características e auxiliar na prevenção de desastres.
A Fossa de Atacama é uma das regiões mais profundas do Oceano Pacífico e é o local onde ocorre o encontro entre as placas tectônicas de Nazca e Sul-americana. Ela se formou justamente pela subducção da placa tectônica de Nazca sob a placa Sul-Americana, processo que também deu origem à Cordilheira dos Andes.
A preparação para o mergulho exigiu meses de planejamento técnico rigoroso. Cada detalhe da operação foi cuidadosamente estudado para garantir a segurança da cientista e o sucesso das atividades científicas em um ambiente onde as condições físicas são extremas e qualquer falha pode ser irreversível.
A expedição fez parte de uma parceria entre instituições científicas da China e do Chile. Segundo a pesquisadora, no início ela estava mais focada na oportunidade inédita de coletar dados científicos do que no fato de estar realizando um feito histórico. Apenas depois da repercussão percebeu a importância de ser a primeira mulher a atingir aquela profundidade, especialmente para outras mulheres que buscam espaço na ciência.
O protagonismo de Valeria Cortés também é muito importante para a representatividade feminina. Em uma área historicamente dominada por homens, Cortés abre caminhos para outras mulheres e se torna uma referência concreta para as próximas gerações de cientistas.
Para o Chile, o feito da missão fortalece a posição do país como referência em oceanografia. A proximidade geográfica da Fossa do Atacama coloca o Chile em posição privilegiada para liderar pesquisas de relevância global, e o sucesso da missão deve estimular novos programas de cooperação científica.
Para a coleta de amostras, o submersível utilizou braços robóticos para retirar sedimentos, rochas e organismos do leito marinho. Câmeras de alta resolução e sensores especializados completaram o conjunto tecnológico, permitindo o registro detalhado do ambiente e a captura de dados ambientais em tempo real.
O oceano profundo é um dos ambientes mais misteriosos e inexplorados do planeta Terra. Inclusive, algumas regiões estão abaixo dos 200 metros de profundidade, onde a luz solar não chega e as condições se tornam extremas. Assim, nesse ambiente, há escuridão absoluta, pressões colossais e temperaturas congelantes.
A exploração do oceano profundo permite o estudo de diversas espécies desconhecidas. O local abriga formas de vida que se adaptaram a condições extremas de pressão, temperatura e ausência total de luz. Conhecer esses organismos é essencial para entender como a vida prospera nos limites mais extremos da biosfera e como esses ecossistemas influenciam ciclos químicos e biológicos em escala global.
Entretanto, esse tipo de estudo traz alguns desafios para a pesquisa científica, já que, em áreas pouco exploradas, existem poucos estudos anteriores como referência. Nesses casos, os cientistas precisam combinar conhecimento técnico, capacidade de adaptação e criatividade para interpretar corretamente os dados obtidos e desenvolver novas abordagens de investigação.