A Ilha, que fica a cerca de 2.300 quilômetros ao sul da África, é um território subantártico que abriga diversas espécies de aves marinhas. Essas espécies evoluíram por milhares de anos sem predadores terrestres e, por isso, não desenvolveram mecanismos naturais de defesa. Muitas delas, inclusive, faziam ninhos no solo.
Sem predadores naturais na ilha, os gatos se reproduziram em ritmo acelerado. Na década de 1970, a população de gatos já ultrapassava 2 mil indivíduos. Estimativas indicam que os felinos chegaram a matar cerca de 450 mil aves por ano, incluindo ninhos, filhotes e aves adultas.
Diante desse cenário, as autoridades deram início, em 1977, a um programa de erradicação dos gatos. A estratégia combinou captura intensiva, caça noturna e o uso do vírus da panleucopenia felina como método de controle biológico. A operação se estendeu por mais de dez anos.
O último gato foi eliminado em 1991, 14 anos depois do início do programa de erradicação. Com o desaparecimento dos felinos, no entanto, a população de ratos, que haviam sido introduzidos por baleeiros no século 19, aumentou consideravelmente. Sem predadores que controlassem sua reprodução, os roedores passaram a atacar ovos, filhotes e aves adultas.
Segundo o Mouse-Free Marion Project, 19 das 29 espécies de aves que se reproduzem na ilha correm risco de extinção local por causa da infestação. Para reverter o quadro, o Departamento de Silvicultura, Pesca e Meio Ambiente da África do Sul e a organização BirdLife South Africa criaram o Mouse-Free Marion Project.
A iniciativa pretende realizar a maior operação de erradicação de roedores já planejada para uma única ilha, com uso de helicópteros guiados por GPS para distribuição de iscas envenenadas durante o inverno austral em uma área de cerca de 30 mil hectares.
Antes da operação em toda a ilha, um teste acontecerá entre abril e maio de 2027 em uma área de cerca de 975 hectares. O projeto tem custo estimado em 25 milhões de dólares e contará com financiamento do governo sul-africano e de fundações internacionais. Os responsáveis alertam que a sobrevivência de até mesmo um pequeno número de ratos pode comprometer toda a operação.