Fernando Pessoa passou boa parte da infância e da adolescência em Durban, na África do Sul, onde viveu com a mãe, Maria Madalena Pinheiro Nogueira Pessoa, e o padrasto, João Miguel Rosa, que exercia funções diplomáticas como cônsul de Portugal na cidade.
Os anos vividos na África do Sul deram a Fernando Pessoa uma sólida formação em língua inglesa. Órfão de pai desde os cinco anos, o poeta também enfrentou ainda jovem a morte de duas irmãs. Essas perdas familiares são frequentemente relacionadas ao tom melancólico presente em parte de sua obra.
Antes de retornar a Lisboa, ainda adolescente, Fernando Pessoa, que perdera o pai aos cinco anos, também enfrentou a morte de duas irmãs ainda pequenas. Essas perdas marcaram sua juventude e são frequentemente associadas à melancolia presente em parte de sua obra literária.
A criação de heterônimos é uma das marcas mais características da obra de Fernando Pessoa. Ao longo da vida, o escritor criou dezenas de personalidades literárias, cada uma com biografia, estilo e visão de mundo próprios. Estudos apontam que esses nomes podem chegar a mais de 70.
O primeiro personagem literário criado por Fernando Pessoa teria sido “um certo Chevalier de Pas”, aos seis anos de idade, conforme ele próprio relatou em uma carta ao poeta e crítico Adolfo Casais Monteiro. Pessoa contou que escrevia cartas desse personagem para si mesmo.
A carta integra o acervo da biblioteca da Casa Fernando Pessoa, em Lisboa. Ainda nos primeiros anos de vida, Pessoa já escrevia poemas, revelando precocemente a vocação literária que o acompanharia até sua morte, em 30 de novembro de 1935, aos 47 anos.
Após atuar como crítico literário, Fernando Pessoa participou, em 1915, da criação da revista Orpheu, um dos marcos do modernismo português. A publicação reuniu importantes nomes da literatura e das artes, entre eles Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros.
Embora tenha tido apenas duas edições, a revista Orpheu provocou forte impacto na cultura portuguesa. O movimento ligado à publicação, conhecido como Orfismo, rompeu com padrões da literatura tradicional e tornou-se um marco da primeira fase do Modernismo em Portugal.
Nas duas edições da revista Orpheu, Fernando Pessoa publicou textos em seu próprio nome e também assinados por Álvaro de Campos, um de seus mais célebres heterônimos. O personagem tornou-se uma das figuras centrais do universo literário criado pelo poeta.
Em 1924, Fernando Pessoa fundou, com Ruy Vaz, a revista Athena, dedicada às artes e à literatura. Nela, publicou textos em seu próprio nome e também de alguns de seus principais heterônimos, como Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis.
A dedicação à heteronímia é uma característica marcante da obra de Fernando Pessoa. Seus principais heterônimos possuem biografias, personalidades e estilos literários próprios, tão bem definidos que o próprio Pessoa — o chamado “ortônimo” — parece integrar esse universo como mais uma voz poética.
Além de Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis, outra personalidade literária de destaque criada por Fernando Pessoa é Bernardo Soares. Autor do Livro do Desassossego, ele foi definido pelo próprio Pessoa como um “semi-heterônimo”, por apresentar uma personalidade não inteiramente diferente da sua.
Os estudiosos classificam Bernardo Soares como um semi-heterônimo, por não possuir uma identidade totalmente distinta da de Fernando Pessoa. O próprio escritor definiu a personalidade de Soares como uma “simples mutilação” da sua, preservando características muito próximas às do autor.
Alberto Caeiro, a quem Pessoa atribuiu datas de nascimento e morte, assim como fez com outros heterônimos, é apresentado como um poeta ligado ao campo, de pouca instrução formal e linguagem simples. A ele é atribuída a autoria do conjunto de poemas O Guardador de Rebanhos.
Álvaro de Campos é um dos mais famosos heterônimos de Fernando Pessoa. Apresentado como engenheiro naval, teria nascido em Tavira, em 1890, e estudado na Escócia. Sua poesia passou por diferentes fases, indo do entusiasmo com a modernidade e as máquinas à angústia, ao desencanto e à reflexão sobre a existência.
De Ricardo Reis, Fernando Pessoa “revelou” a data de nascimento, mas não a de sua morte. Décadas depois, o escritor português José Saramago imaginou o destino do heterônimo no romance O Ano da Morte de Ricardo Reis, que acompanha seus últimos meses de vida.
O único livro de poesia em português publicado por Fernando Pessoa em vida foi Mensagem, lançado em 1º de dezembro de 1934, menos de um ano antes da morte do poeta. A obra reúne poemas que revisitam a história, os símbolos e os mitos de Portugal.
Entre os 44 poemas de Mensagem está Mar Português, um dos mais conhecidos de Fernando Pessoa. É dele um dos versos mais célebres do poeta: “Valeu a pena? Tudo vale a pena / Se a alma não é pequena”, que se tornou uma das passagens mais lembradas de sua obra.