O mel com sabor de chocolate dá uma nova finalidade a partes do cacau que normalmente seriam descartadas, contribuindo para reduzir o desperdício na cadeia produtiva. Além do uso na indústria alimentícia, o produto também apresenta potencial para aplicações no setor de cosméticos. A técnica transforma resíduos agrícolas em matéria-prima de maior valor agregado.
Os testes foram realizados com mel de cinco espécies brasileiras de abelhas sem ferrão. Entre elas estão borá, jataí, mandaçaia, mandaguari e moça-branca. Todas são fundamentais para o equilíbrio ambiental e para a polinização. Nos estudos iniciais, o mel da mandaguari apresentou os melhores resultados. Ainda assim, outras espécies também podem ser utilizadas no processo.
O estudo sobre o mel com sabor de chocolate foi publicado na revista científica ACS Sustainable Chemistry & Engineering. E, por falar em mel, a Embrapa Meio Ambiente desenvolveu um protocolo para identificar e autenticar o produto feito por abelhas sem ferrão nativas do Brasil. A iniciativa busca comprovar a origem e a qualidade do mel, além de permitir sua rastreabilidade.
As abelhas sem ferrão são nativas do Brasil e sua criação é conhecida como meliponicultura. Elas já estavam presentes no território brasileiro muito antes da introdução da Apis mellifera, espécie trazida de outras regiões do mundo. Fundamentais para a polinização e o equilíbrio dos ecossistemas, as abelhas são alvo de iniciativas de conservação diante das ameaças às suas populações.
As abelhas, por meio da polinização de inúmeros alimentos, como frutas, legumes e grãos, garantem a segurança alimentar de toda a humanidade. E favorecem a economia.
A polinização ocorre quando grãos de pólen são transferidos das estruturas masculinas para as estruturas femininas das flores, permitindo a reprodução de muitas plantas. As abelhas estão entre os principais agentes desse processo: ao buscar néctar e pólen para se alimentar, transportam os grãos entre as flores e contribuem para a formação de frutos e sementes.
A abelha Apis mellifera encontrada no Brasil é predominantemente africanizada, resultado do cruzamento entre linhagens africanas e europeias introduzidas no país. Conhecidas pelo comportamento defensivo mais intenso, essas abelhas são bem adaptadas ao clima tropical, apresentam elevada produtividade e demonstram resistência a algumas doenças e parasitas.