Com uma história tão longa, Jericó é um dos lugares que ajudam a compreender a transição de grupos de caçadores-coletores para comunidades sedentárias, que passaram a cultivar a terra. As escavações arqueológicas realizadas desde o final do século 19 revelaram camadas sobrepostas de civilizações que habitaram a região por milênios.
A poucos quilômetros do centro atual de Jericó, Tell es-Sultan reúne vestígios de antigas moradias e construções monumentais. Entre os achados mais impressionantes estão uma muralha de pedra, um fosso e uma torre erguidos no período neolítico.
A noroeste da Jericó atual, Tell es-Sultan reúne vestígios de antigas moradias e construções monumentais. Entre os achados mais impressionantes estão uma muralha de pedra, um fosso e uma torre erguidos no período neolítico.
Outro achado notável é a Torre de Jericó, estrutura de pedra com cerca de 8 metros de altura e uma escada interna. Erguida no período neolítico, assim como a muralha, ela pode ter desempenhado funções de proteção contra enchentes, defesa ou rituais. Sua construção revela a capacidade daquela comunidade de planejar e realizar obras monumentais.
Jericó fica cerca de 250 metros abaixo do nível do mar, sendo considerada a cidade mais baixa do mundo. Em pleno vale do Jordão, a fonte de Ain es-Sultan forneceu a água que favoreceu a ocupação humana e a agricultura na região ao longo de milênios.
Jericó ocupa um lugar importante nos relatos bíblicos. Chamada de ‘Cidade das Palmeiras’ no Deuteronômio, ela aparece no livro de Josué como a primeira cidade enfrentada pelos israelitas após a travessia do rio Jordão, segundo a narrativa bíblica.
Segundo a Bíblia, as muralhas de Jericó caíram após sete dias de marchas e toques de trombetas. No Novo Testamento, Jesus cura Bartimeu nas proximidades da cidade e visita Zaqueu, que havia subido em um sicômoro para vê-lo. Esses relatos fazem de Jericó um lugar importante para a tradição cristã.
A história de Jericó vai além dos relatos religiosos. O sítio foi ocupado em diferentes épocas e guarda vestígios de uma antiga cidade cananeia. Ao longo dos milênios, a região passou por mudanças de poder e períodos de destruição e reconstrução
Durante o domínio romano, Herodes, o Grande, construiu ali um palácio luxuoso cercado por jardins e aquedutos, aproveitando o clima ameno do inverno. As ruínas desse palácio ainda podem ser visitadas e são uma das principais atrações históricas da região.
Atualmente, Jericó faz parte do território administrado pela Autoridade Palestina e tem cerca de 20 mil habitantes. Apesar de seu tamanho modesto, é um dos principais centros turísticos da Cisjordânia, atraindo visitantes interessados tanto em história quanto em espiritualidade.
Os turistas podem conhecer o sítio arqueológico de Tell es-Sultan e o Mosteiro da Tentação - onde, segundo a tradição cristã, Jesus foi tentado pelo diabo após jejuar por quarenta dias.
Outro cartão-postal é o teleférico que leva ao mosteiro grego-ortodoxo cravado nas rochas do monte.
Jericó também se destaca por sua produção agrícola. Graças ao solo fértil e à abundância de água subterrânea, a cidade é uma das principais fornecedoras de tâmaras, bananas e cítricos da região. As tâmaras de Jericó, em especial, são consideradas de excelente qualidade e são exportadas para diversos países.
No coração de Jericó também encontra-se o animado parque aquático Safari Aquapark, considerado o maior de sua categoria na região. Localizado na rua Japão, entrada sul da cidade, ele reúne mais de 30 atrações aquáticas
Nos últimos anos, esforços de preservação e cooperação internacional têm buscado proteger o patrimônio arqueológico de Jericó.
Em 2023, a Unesco reconheceu Tell es-Sultan como Patrimônio Mundial, destacando seu valor universal como testemunho das origens da urbanização e da vida comunitária humana. O reconhecimento reforçou o status de Jericó como um dos mais importantes sítios históricos do planeta.