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Estado de Minas

Convocação do ministro Antonio Palocci é adiada até terça


postado em 02/06/2011 07:35

Líderes discutem a anulação da convocação de Palocci: sem acordo(foto: Monique Renne/CB/D.A Press )
Líderes discutem a anulação da convocação de Palocci: sem acordo (foto: Monique Renne/CB/D.A Press )
A multiplicação patrimonial de Antonio Palocci vai continuar a dar dor de cabeça ao governo na Câmara dos Deputados pelo menos até a próxima terça-feira. De tanto insistir, a oposição até conseguiu convocar o ministro da Casa Civil para depor na Comissão de Agricultura e Pecuária, mas o responsável pela articulação política do governo, no entanto, pode não precisar pisar a Casa para prestar esclarecimentos. Tudo porque os governistas conseguiram suspender a aprovação do requerimento, alegando que a votação foi irregular, feita a partir de um “golpe contra o regimento”. A palavra final sobre a validade da convocação será dada pelo presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), somente na semana que vem. Até lá, a crise permanece sem ser estancada, como deseja o governo.

A manobra da oposição para conseguir a votação começou a ser articulada pela manhã e envolveu a apresentação do requerimento em cinco comissões. Para a oposição, um descuido dos governistas permitiu a aprovação da convocação na Comissão de Agricultura e Pecuária (CAP) da Câmara. Do outro lado da mesa, os líderes da base aliada alegam que o presidente da CAP, Lira Maia (DEM-PA), inverteu o resultado da votação. O deputado aprovou o requerimento, quando a maioria teria rejeitado a convocação. Depois da proclamação do resultado e dos protestos governistas, Lira Maia chegou a acenar com nova votação, mas voltou atrás por determinação do líder do DEM na Câmara, Antônio Carlos Magalhães Neto (BA).

Com a sessão parada para que o caso fosse resolvido, os líderes do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), e do PMDB, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), deixaram às pressas a reunião do conselho político para tentar contornar o revés. Sem acordo para nova votação, no entanto, os governistas tentaram anular a convocação em plenário e o presidente da Câmara, Marco Maia, pediu seis dias para tomar uma decisão. “O que aconteceu foi um golpe. O acordo era que o presidente da Comissão aceitaria o encaminhamento do líder do governo o que não aconteceu. Não foi esperteza regimental, foi um golpe”, criticou Vaccarezza.

Gravação
ACM Neto, que conduziu a manobra na Comissão de Agricultura e Pecuária, disse que os deputados governistas tiveram oito segundos para se manifestar e a maioria permaneceu imóvel — as gravações da sessão não permitem confirmação sobre o número de votos favoráveis e contrários à convocação. “Sustentaremos até o fim a validade da convocação. Para todos os fins, Palocci está convocado a depor”, disse o líder do DEM. Já o líder do governo garante que o ministro não comparecerá para explicar sua atuação como consultor e a suposta multiplicação do patrimônio por 20 em apenas quatro anos. “Ele não irá a essa comissão porque a comissão não aprovou essa convocação”, desafiou Vaccarezza.

Os governistas ainda conseguiram a suspensão temporária da convocação, decidida por Marco Maia. “Vamos suspender por hora a decisão tomada pela Comissão para que eu possa olhar os vídeos produzidos, possa escutar o presidente Lira Maia, tomar conhecimento das notas taquigráficas, ouvir as gravações, os deputados e tomarei a decisão final na próxima terça-feira”, disse o presidente da Casa. Com a oposição e o governo novamente em rota de colisão, a votação do novo Código Brasileiro de Aeronáutica acabou suspensa.

À noite, senadores de oposição encomendaram três pizzas para protestar contra a suspensão da convocação de Palocci. Eles distribuíram fatias no cafezinho do plenário. Os governistas evitaram participar do lanche coletivo.

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