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Correio Braziliense

Bolsonaro exonera Gustavo Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência

"O senhor presidente agradece sua dedicação a frente da pasta, e deseja sucesso na nova caminhada", disse o porta-voz da Presidência, o general Rêgo Barros


postado em 18/02/2019 18:25 / atualizado em 18/02/2019 22:27

(foto: José Cruz/Agência Brasil)
(foto: José Cruz/Agência Brasil)
 

 

Após um fim de semana de apreensão no cenário político brasileiro, foi confirmada na tarde desta segunda-feira (18/2) a exoneração do ministro Gustavo Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência da República. A declaração foi dada em coletiva de imprensa concedida pelo porta-voz do governo, o general Rêgo Barros. "O senhor presidente agradece sua dedicação a frente da pasta, e deseja sucesso na nova caminhada", disse o porta-voz. 

 

Com a saída de Bebianno, o general da reserva  Floriano Peixoto Vieira Neto assume a pasta, por escolha do próprio presidente, Jair Bolsonaro. Com a chega de Peixoto, o governo federal passa a ter oito militares com status de ministro

 

Apesar de ter negado a demissão de Bebianno na sexta-feira (15/2), Bolsonaro informou, nesta segunda-feira, que "diferentes pontos de vista trouxeram a necessidade de uma reavaliação". Em vídeo, o presidente reconheceu o esforço do ex-ministro frente à campanha presidencial, em outubro, e afirmou que o trabalho de Bebianno foi importante para o êxito da disputa presidencial. 

 

A queda de Bebianno de um dos cargos mais importantes do governo começou após denúncias de que uma candidata do PSL à Câmara dos Deputados havia sido usada como laranja, nas eleições de 2018. Maria de Lourdes Paixão concorreu pelo estado de Pernambuco e teve um número inexpressivo de votos, na contramão da quantia destinada à ela durante a campanha. A candidata recebeu R$ 400 mil reais do fundo partidário. À época, Bebianno era presidente do PSL.

 

Bebianno havia dito à imprensa que não havia crise no governo, e que já teria conversado com o presidente sobre o assunto e que estava tudo bem. No olho do furacão, o agora ex-ministro passou a ligar para Bolsonaro, que estava internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo, após ser submetido a uma cirurgia, para a retirada da bolsa de colostomia que usava desde a facada que recebeu, em 6 de setembro do ano passado.

 

Carlos Bolsonaro, filho do presidente e vereador pelo Partido Social Cristão (PSC), no Rio de Janeiro, negou que Bebianno e o presidente tivessem conversado e chamou o então ministro de mentiroso. Nas redes sociais, ele publicou um áudio, onde Bolsonaro "dispensa" o ministro e deseja-lhe "boa sorte". A desculpa era de que o chefe do executivo só estava tratando, por telefone, assuntos de extrema importância, por recomendação médica. O tuíte foi compartilhado por Bolsonaro no dia seguinte.  

 

Bolsonaro e Bebianno se encontraram na última sexta-feira (15/2), junto com o vice-presidente Hamilton Mourão e os dois ministros - da Casa Civil, Onyx Lorenzoni e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno. Segundo o porta-voz Rêgo Barros, esse teria sido o último dia em que o presidente teria falado com o ministro. Os militares tentaram evitar a demissão de Bebianno, mas todos os esforços acabaram fracassados. 

Ameaças

O ex-ministro afirmou nesta segunda-feira que está recebendo ameaças pelo WhatsApp desde o fim de semana. Apesar de não ter dado mais detalhes sobre as ameaças, ele informou que já identificou algumas pessoas e que vai tomar previdências. 

 

Pelas redes sociais, os filhos de Bolsonaro voltaram a atacar Bebianno nas redes sociais. O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) divulgou um link de um texto que chama o ministro de "traidor" e "funcionário incompetente".

 

 

 

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