A alta do dólar, notícia frequente no cenário econômico, tem um impacto direto e rápido em um item essencial do dia a dia: o preço da gasolina. Essa relação acontece porque a Petrobras, principal fornecedora do país, considera em sua precificação a cotação internacional do petróleo e a variação da moeda americana. Embora o modelo de Preço de Paridade de Importação (PPI) tenha sido oficialmente descontinuado em maio de 2023, esses fatores continuam sendo determinantes para os reajustes.
Na prática, isso significa que, mesmo que o Brasil produza grande parte do petróleo que consome, o preço do barril é negociado globalmente em dólares. Quando a moeda americana se valoriza frente ao real, o custo da matéria-prima para a Petrobras aumenta, ainda que o valor do barril no mercado externo permaneça estável.
Para entender melhor, imagine um cenário simples: se o barril de petróleo custa 80 dólares e a cotação do dólar está em R$ 5,00, o custo para a refinaria é de R$ 400. Se a moeda americana sobe para R$ 5,50, esse mesmo barril passa a custar R$ 440, um aumento de 10% que a empresa tende a repassar em seus reajustes para as distribuidoras.
O caminho do preço até a bomba
O valor que a Petrobras cobra nas refinarias é apenas o ponto de partida. A partir daí, o preço final que o consumidor paga na bomba é composto por uma série de outros fatores, que também influenciam na variação. O valor que você vê no posto de combustível é uma soma de diferentes componentes.
Entenda o que mais pesa no cálculo final:
- Cotação do petróleo: Além do dólar, a própria variação do preço do barril tipo Brent, referência internacional, afeta os custos. Eventos geopolíticos e decisões de países produtores influenciam diretamente essa cotação.
- Impostos: Uma parcela significativa do preço é formada por tributos. O ICMS, que é um imposto estadual, tem alíquotas diferentes em cada estado, enquanto CIDE, PIS e Cofins são tributos federais.
- Custo do etanol anidro: A gasolina vendida no Brasil tem uma mistura obrigatória de etanol anidro. Portanto, a variação no preço do biocombustível, que depende da safra de cana-de-açúcar, também impacta o valor final.
- Margens de lucro: Por fim, são adicionadas as margens das distribuidoras de combustível e dos próprios postos de revenda, que cobrem custos operacionais, logísticos e o lucro de cada empresa.
Essa dinâmica mostra que o valor pago na bomba é um reflexo complexo de fatores globais e locais. A cotação do dólar funciona como um dos principais gatilhos para os reajustes, mas a composição final do preço depende de toda essa cadeia produtiva e tributária.









