O termo ‘ciclone bomba’ pode assustar, mas não se trata de uma explosão. É um fenômeno meteorológico caracterizado por uma queda extremamente rápida da pressão atmosférica no centro de um ciclone. Conhecido tecnicamente como bombogênese, esse processo de intensificação veloz dá origem a tempestades severas, com ventos fortes e chuvas volumosas.
Apesar do nome impactante, o fenômeno não é raro e pode ocorrer em diferentes partes do mundo, incluindo a costa do Brasil, sendo mais comum na região Sul, sobre o Atlântico Sul. Sua formação está associada a sistemas de baixa pressão que se aprofundam de maneira muito abrupta, potencializando os efeitos climáticos na região onde atuam.
Como o ciclone se intensifica tão rápido?
A formação de um ciclone bomba ocorre quando a pressão no centro de uma área de baixa pressão despenca pelo menos 24 milibares (mbar) em um período de 24 horas. Esse valor pode variar conforme a latitude, sendo maior em regiões próximas aos polos e menor próximo ao Equador. Essa queda funciona como um vácuo, sugando o ar de áreas próximas com pressão mais alta de forma muito veloz.
O resultado é a geração de ventos muito intensos e a rápida organização da tempestade, que se torna mais potente em pouco tempo. Geralmente, o gatilho para esse processo é o encontro de massas de ar com temperaturas muito diferentes, como uma frente fria avançando sobre ar mais quente e úmido, o que alimenta o sistema e acelera a queda de pressão.
Quais são os principais efeitos do ‘ciclone bomba’?
A principal consequência de um ciclone bomba são os ventos de grande intensidade, que podem facilmente passar de 100 km/h — em casos extremos, as rajadas superam os 119 km/h, velocidade que já classifica o vento com força de furacão categoria 1. No Brasil, o ciclone de junho de 2020 que atingiu a região Sul provocou ventos com essa intensidade, capazes de destelhar casas, derrubar árvores e postes, além de causar interrupções no fornecimento de energia elétrica.
Além dos ventos, o fenômeno costuma trazer chuvas torrenciais, capazes de causar alagamentos e deslizamentos de terra em áreas de risco. Quando se forma sobre o oceano, o ciclone também provoca agitação marítima e ressacas severas, com ondas que representam perigo para a navegação e para as zonas costeiras.
Embora seus ventos possam atingir a força de um furacão, os dois fenômenos são distintos. Ciclones bomba são, em sua essência, ciclones extratropicais que se formam a partir do forte contraste entre massas de ar com temperaturas diferentes (uma fria e uma quente). Já os furacões são ciclones tropicais, que ganham energia a partir do calor e da umidade das águas quentes dos oceanos.










