Os quatro ataques de tubarão registrados em Pernambuco apenas em 2026, sendo dois no final de maio e início de junho, colocaram em evidência o protocolo de atendimento às vítimas, um dos mais experientes do mundo. Desde 1992, o estado já contabilizou 84 incidentes, sendo 70 na Região Metropolitana do Recife, segundo dados do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit). O Hospital da Restauração (HR), na área central da capital, é a unidade de referência para onde todos os feridos são encaminhados.
O atendimento começa imediatamente após o ataque, com o resgate feito pelo Corpo de Bombeiros, muitas vezes com auxílio de surfistas e banhistas. A prioridade absoluta é conter a hemorragia, principal causa de morte nesses casos. A aplicação de um torniquete no membro atingido é um procedimento crucial para que a vítima chegue com vida ao hospital, especialmente em praias de alta incidência como Boa Viagem e Piedade.
Ao dar entrada na emergência do HR, o paciente é geralmente levado direto para o bloco cirúrgico, onde uma equipe com cirurgiões vasculares, ortopedistas e cirurgiões plásticos normalmente já está de prontidão. O objetivo inicial é sempre tentar salvar o membro, restaurando a circulação e reconstruindo os tecidos danificados.
Contudo, a gravidade das lesões — com grande perda de massa muscular, fraturas e danos a artérias importantes, muitas vezes causadas por espécies como o tubarão-cabeça-chata e o tubarão-tigre — frequentemente torna a amputação inevitável. A decisão é tomada pela equipe médica durante a cirurgia, visando sempre preservar a vida do paciente.
A longa jornada da recuperação
Após a cirurgia, o paciente segue para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para controle de infecções e estabilização do quadro clínico. As mordidas de tubarão carregam um alto risco de contaminação bacteriana, exigindo um tratamento rigoroso com antibióticos.
Superada a fase crítica, inicia-se um longo processo de reabilitação com fisioterapia e acompanhamento psicológico, fundamentais para a recuperação física e para lidar com o trauma. A assistência contínua busca devolver a maior autonomia possível ao paciente.
Nos casos de amputação, o tratamento inclui a preparação para o uso de próteses. Todo o suporte, incluindo o equipamento, é fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A eficácia do protocolo foi vista em casos de 2026, como o de um menino de 11 anos que, apesar de ter o membro amputado, sobreviveu graças à rapidez e qualidade do atendimento, garantindo o amparo necessário para a reconstrução de sua vida.









