
A Universidade de Brasília aparece entre as cinco instituições de ensino superior brasileiras que melhoraram o desempenho no ranking global de universidades, divulgado ontem pelo Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR). Em um cenário em que a maioria das instituições nacionais perdeu de posições, a UnB avançou da 833ª para a 831ª colocação na classificação internacional.
Além da instituição brasiliense, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Universidade Federal do Rio Grande (UFRG) também melhoraram as posições. A UFSC, aliás, registrou a maior evolução: salto de 95 colocações, passando do 827º ao 732º lugar.
Os dados mostram um quadro de dificuldades para o ensino superior brasileiro. Das 52 universidades do país incluídas entre as duas mil melhores do mundo, 45 tiveram queda em relação à edição anterior do levantamento. O resultado representa 87% das instituições avaliadas e reflete, segundo a análise do CWUR, a redução da competitividade em indicadores ligados à produção científica diante do avanço de universidades estrangeiras, que contam com maiores investimentos em pesquisa e inovação.
Pesquisa científica
O ranking aponta que a principal fragilidade das universidades brasileiras está na pesquisa. Entre as 52 instituições classificadas, 44 apresentaram queda nesse indicador, considerado um dos mais relevantes da metodologia do CWUR. A avaliação leva em conta aspectos como quantidade de publicações acadêmicas, presença em periódicos de alto impacto, influência das pesquisas produzidas e número de citações recebidas pelos trabalhos científicos.
Mesmo permanecendo como a universidade mais bem colocada do Brasil e da América Latina, a Universidade de São Paulo (USP) perdeu uma posição e passou a ocupar o 119º lugar no ranking mundial. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) caiu de 331ª para 346ª, enquanto a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) recuou 10 posições — desceu ao 379º lugar. A Universidade Estadual Paulista (Unesp) também caiu — da 454ª foi para a 479ª. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desce do 497° para o 508° posto.
Apesar do recuo observado entre as principais instituições brasileiras, o país continua concentrando as universidades mais bem posicionadas da América Latina. Além da USP, figuram entre os destaques regionais a UFRJ, a Unicamp, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Unesp e a UFMG. Três instituições mantiveram exatamente a mesma posição da edição anterior: a UFRGS, a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).
O levantamento do CWUR avaliou mais de 21 mil universidades em todo o mundo e classificou as duas mil melhores, com base em critérios relacionados à qualidade do ensino, empregabilidade dos ex-alunos, excelência do corpo docente e desempenho em pesquisa.
A produção científica responde sozinha por 40% da nota final, enquanto educação e empregabilidade somam 25% cada. A qualificação do corpo docente completa a metodologia, com peso de 10%.
Os resultados reforçam os desafios enfrentados pelo sistema universitário brasileiro para manter a competitividade em um ambiente acadêmico cada vez mais disputado internacionalmente. Ao mesmo tempo, o avanço da UnB e de outras quatro instituições demonstra que ganhos pontuais continuam sendo possíveis mesmo diante das dificuldades observadas no cenário nacional, especialmente quando há evolução em indicadores ligados à pesquisa e à produção de conhecimento.
*Estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi
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