Uma operação da Polícia Federal que mira um esquema de lavagem de dinheiro de R$ 7,6 bilhões em uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro joga luz sobre uma prática antiga do crime organizado. A escolha por esse tipo de negócio não é aleatória e se baseia em uma lógica que facilita a ocultação de recursos de origem ilícita.
Postos de gasolina são negócios que, por natureza, movimentam um grande volume de dinheiro em espécie diariamente. Mesmo com a popularização dos pagamentos digitais, o combustível ainda é um produto frequentemente pago com cédulas, o que cria o ambiente perfeito para misturar dinheiro ilegal ao faturamento legítimo da empresa.
A mecânica da lavagem de dinheiro
O processo é relativamente simples. O dinheiro obtido com atividades criminosas, como tráfico de drogas ou corrupção, é inserido no caixa do posto como se fosse resultado de vendas de combustível e produtos da loja de conveniência. Ao final do dia, essa quantia é depositada na conta bancária da empresa junto com o faturamento real.
A partir daí, o dinheiro já está “esquentado”, ou seja, inserido no sistema financeiro com uma aparência de legalidade. Ele pode ser usado para pagar fornecedores, salários, impostos ou transferido para outras contas, completando o ciclo da lavagem. A fiscalização se torna complexa devido ao alto fluxo de transações e à dificuldade de auditar cada venda individualmente.
Outros fatores que tornam os postos atraentes para esses esquemas são:
- Funcionamento contínuo: Muitos estabelecimentos operam 24 horas por dia, o que justifica um fluxo constante de entrada de dinheiro, dificultando a identificação de picos incomuns de faturamento.
- Vendas diversificadas: Além do combustível, as lojas de conveniência vendem itens de baixo valor e alto giro, como bebidas e salgados. É muito difícil para um fiscal provar que o posto não vendeu a quantidade de produtos declarada.
- Estrutura de custos: A compra de combustível em grande volume junto às distribuidoras também serve para movimentar altas cifras, mascarando ainda mais as transações financeiras.
Dessa forma, a fachada de um negócio comum e essencial para o dia a dia da população serve como uma cobertura eficiente para legalizar bilhões de reais, financiando a continuidade de diversas outras atividades criminosas. A aparência de legitimidade é o que torna o setor de combustíveis um alvo estratégico e recorrente para organizações criminosas.










