A rápida mobilização do Partido Liberal (PL) para defender o senador Flávio Bolsonaro, após a divulgação de uma fotografia controversa em 15 de julho de 2026, não é um movimento isolado. Na imagem, o senador aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que morreu em março de 2026, dois dias após ser preso. Em sua defesa, o senador afirmou não conhecer Mourão e que recebe pedidos de fotos diariamente. A ação do PL segue um roteiro bem conhecido de gestão de crise, um manual aplicado por grandes empresas e figuras públicas para proteger sua imagem diante de um escândalo em potencial.
O objetivo principal é controlar a narrativa desde o início. Quando uma crise de imagem surge, a velocidade da resposta é crucial. Deixar um vácuo na comunicação permite que versões negativas ganhem força, tornando a reversão do cenário muito mais difícil. Por isso, a primeira atitude costuma ser um posicionamento público rápido, mesmo que seja apenas para informar que o assunto está sendo apurado.
Esse tipo de estratégia é planejada para proteger o ativo mais valioso de uma organização ou personalidade: a reputação. Seja uma empresa enfrentando acusações sobre um produto ou um partido político lidando com a polêmica de um de seus membros, os passos costumam ser semelhantes.
Os passos para conter danos
A primeira etapa é a unificação do discurso. Todos os porta-vozes e membros importantes da organização precisam estar alinhados, transmitindo a mesma mensagem. Qualquer contradição pode ser explorada como um sinal de desorganização ou de que algo está sendo escondido. No caso do PL, o fechamento de fileiras em torno do senador é um exemplo prático dessa tática.
Em seguida, define-se a mensagem central. A comunicação pode seguir diferentes caminhos, como a negação da acusação, a contextualização dos fatos para minimizar o impacto ou um pedido formal de desculpas para demonstrar responsabilidade. A escolha depende da gravidade da situação e das provas existentes.
Paralelamente, equipes monitoram em tempo real a repercussão do caso na imprensa e nas redes sociais. Essa análise constante permite ajustar a estratégia conforme a reação do público. O tom da comunicação pode ser alterado e novos argumentos podem ser introduzidos para responder a críticas que ganham mais destaque.
O estágio final é a transição para uma pauta positiva, buscando “virar a página”. Após a fase mais crítica, o foco se volta para a divulgação de notícias favoráveis, ações de responsabilidade social ou projetos relevantes. A intenção é desviar a atenção do problema e iniciar o processo de reconstrução da confiança com o público.









