Uma operação da Polícia Militar no Gama (DF), em julho de 2026, que resultou na apreensão de 72 peixes da espécie acará, acendeu um alerta sobre uma prática silenciosa e destrutiva: a pesca predatória no Cerrado. A ação expõe como a retirada irregular de pescado ameaça diretamente o equilíbrio de rios e lagos da região, colocando em risco a sobrevivência de diversas espécies.
Diferente da pesca esportiva ou de subsistência, a pesca predatória visa a captura massiva de peixes, muitas vezes para fins comerciais, sem respeitar regras ambientais. Isso inclui pescar em épocas de desova, usar equipamentos proibidos e capturar exemplares menores que o tamanho mínimo permitido por lei. O resultado é um dano profundo e, por vezes, irreversível.
Como a pesca predatória afeta o ecossistema?
A pesca predatória não se limita a retirar peixes da água. Ela desestrutura toda a cadeia alimentar. Quando espécies de topo, como o dourado, são removidas em grande quantidade, as populações de peixes menores que lhes servem de alimento podem crescer descontroladamente, afetando plantas e microrganismos aquáticos.
O uso de equipamentos proibidos, como redes de malha fina, tarrafas fora do padrão e até mesmo substâncias tóxicas, agrava o cenário. Esses métodos não são seletivos e capturam peixes jovens que ainda não se reproduziram, além de outras espécies sem valor comercial, que acabam descartadas. Isso interrompe o ciclo de vida e diminui a capacidade de recuperação dos cardumes.
Quais espécies estão mais ameaçadas?
Espécies nativas do Cerrado, como o pacu, a piraputanga e o próprio dourado, estão entre as que mais sofrem com a pressão da pesca ilegal. O valor comercial e o porte desses peixes os tornam alvos constantes. Essa pressão seletiva sobre os maiores exemplares de cada espécie pode levar a um empobrecimento genético das populações, tornando-as mais vulneráveis a doenças e a mudanças no ambiente.
No Brasil, a pesca predatória é crime ambiental, previsto pela Lei nº 9.605/98. As penalidades para quem for flagrado incluem multas que podem ser bastante elevadas, além da apreensão de todo o material de pesca e do pescado. Em alguns casos, a infração pode levar à detenção de um a três anos.
Ações de fiscalização, como a que ocorreu no Gama, são fundamentais para coibir a prática. A retirada de 72 peixes de uma única vez demonstra o volume que a atividade ilegal pode atingir, representando um impacto significativo na fauna aquática local.










