As recentes declarações do senador Flávio Bolsonaro sobre a segurança das urnas eletrônicas, e as subsequentes críticas do pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado, recolocaram o tema no centro das atenções. Com a proximidade do período eleitoral, questionamentos sobre a confiabilidade do sistema voltam a surgir e geram incerteza entre os eleitores. Entender como a tecnologia funciona é fundamental para separar os fatos dos mitos que circulam com frequência.
Utilizado no Brasil desde 1996, o sistema eletrônico de votação passou por diversas atualizações para fortalecer seus mecanismos de segurança. A cada eleição, o processo é auditado por diferentes entidades, incluindo partidos políticos, Ministério Público e Polícia Federal, que têm acesso ao código-fonte dos programas para inspeção.
Ainda assim, informações falsas ou distorcidas continuam a ser compartilhadas. Para ajudar a esclarecer o que é verdade e o que é mito, listamos os principais pontos que causam confusão sobre o processo de votação no país.
Mitos e verdades do sistema eleitoral
Mito: a urna eletrônica é conectada à internet.
Verdade: a urna funciona de forma isolada, sem qualquer conexão com redes de internet, Wi-Fi ou Bluetooth durante a votação. Isso impede ataques de hackers ou qualquer tipo de invasão remota. A transmissão dos resultados é feita por uma rede privada e segura da Justiça Eleitoral, após o encerramento da votação e o registro dos dados em uma mídia removível.
Mito: o software pode ser alterado para fraudar votos.
Verdade: o software da urna passa por um rigoroso processo de verificação. Meses antes da eleição, o código-fonte é aberto para análise por diversas instituições. Após essa fase, ele é assinado digitalmente e lacrado. Qualquer alteração posterior invalidaria essa assinatura, o que seria facilmente detectado durante as verificações.
Mito: não existe forma de auditar ou recontar os votos.
Verdade: existem múltiplos mecanismos de auditoria. Ao final da votação, cada urna imprime o Boletim de Urna (BU), um extrato com o resultado daquela seção. O BU pode ser comparado com os dados digitalizados enviados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Além disso, ocorre o Teste de Integridade, no qual urnas sorteadas são submetidas a uma votação simulada e filmada, para confirmar que o resultado digital corresponde exatamente aos votos em papel depositados na urna de lona.










