A relação entre o que comemos e o risco de desenvolver câncer é um dos campos mais estudados pela ciência. Hoje, o consenso entre as principais organizações de saúde globais, como o Fundo Mundial de Pesquisa em Câncer (WCRF), é claro: a alimentação desempenha um papel fundamental tanto na prevenção quanto no suporte ao tratamento da doença. A boa notícia é que adotar hábitos saudáveis não exige dietas complexas ou alimentos caros.
A base de uma dieta protetora está em um prato colorido e rico em vegetais. A recomendação é priorizar o consumo de frutas, legumes, verduras, grãos integrais e leguminosas, como feijão e lentilha. Esses alimentos são fontes de fibras, vitaminas e compostos bioativos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, que ajudam a proteger as células de danos que podem levar ao câncer.
Investir em um padrão alimentar variado é mais eficaz do que focar em um único “superalimento”. A combinação de diferentes nutrientes cria um efeito protetor sinérgico no organismo. Incluir fontes de gorduras boas, como azeite de oliva, abacate e castanhas, também contribui para a saúde geral do corpo.
O que deve ser evitado
Na outra ponta da balança estão os alimentos que aumentam o risco de câncer quando consumidos em excesso. A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), classifica as carnes processadas, como salsicha, presunto, bacon e linguiça, como carcinogênicas para humanos. O consumo de carne vermelha também deve ser moderado.
Alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares, gorduras e aditivos químicos, também estão associados a um maior risco. Refrigerantes, salgadinhos de pacote e biscoitos recheados são exemplos. Além de seu baixo valor nutricional, eles contribuem para o ganho de peso, um fator de risco conhecido para vários tipos de câncer. As bebidas alcoólicas também entram na lista de itens a serem evitados, pois o álcool é uma substância com potencial cancerígeno comprovado.
Mitos comuns sobre dieta e câncer
Uma ideia bastante difundida é que o açúcar “alimenta” o câncer. Embora o consumo excessivo de açúcar contribua para a obesidade e processos inflamatórios, que são fatores de risco, não há evidências de que cortar completamente o açúcar da dieta possa “matar de fome” um tumor. O fundamental é manter uma alimentação balanceada e com baixo teor de açúcares adicionados.
Outro mito é a crença em dietas milagrosas ou alimentos que prometem a cura. Nenhum alimento isolado tem o poder de curar o câncer. A nutrição atua como uma aliada importante, ajudando a fortalecer o corpo, a tolerar melhor os tratamentos e a reduzir o risco de a doença surgir ou retornar. Toda e qualquer alteração na dieta, especialmente durante o tratamento oncológico, deve ser acompanhada por um profissional de saúde.










