A troca do canudo de plástico pelo de papel foi celebrada como uma solução para a poluição dos oceanos, mas agora levanta dúvidas sobre a saúde humana. Uma pesquisa recente da Universidade de Antuérpia, na Bélgica, revelou que muitos canudos de papel contêm substâncias químicas duradouras, conhecidas como PFAS ou “químicos eternos”, que podem ser prejudiciais.
Essas substâncias são adicionadas durante a fabricação para tornar o papel mais resistente à água e evitar que ele se desfaça rapidamente na bebida. O problema é que os PFAS não se degradam facilmente no meio ambiente nem no corpo humano, acumulando-se ao longo do tempo. A preocupação central não está no uso esporádico de um único canudo, mas na exposição contínua e cumulativa a partir de diversas fontes.
O que são os ‘químicos eternos’ encontrados no canudo de papel?
PFAS é a sigla para substâncias per e polifluoroalquil, uma família com milhares de produtos químicos sintéticos. Sua principal característica é a extrema resistência, o que os torna úteis em embalagens de alimentos, panelas antiaderentes, tecidos impermeáveis e, claro, nos canudos de papel.
O estudo publicado na revista científica “Food Additives and Contaminants” analisou marcas de canudos na Europa e encontrou PFAS em 18 das 20 marcas de canudos de papel testadas (90%). A presença dessas substâncias, mesmo em baixas concentrações, indica uma fonte adicional de exposição para a população, somando-se a outras já existentes no dia a dia.
Quais são os riscos e as alternativas?
A exposição prolongada a altos níveis de PFAS está associada a diversos problemas de saúde, como alterações no colesterol, danos ao fígado, problemas de tireoide e um risco aumentado para certos tipos de câncer, como o renal e o hepático. Os pesquisadores do estudo ressaltam, no entanto, que as concentrações de PFAS encontradas foram baixas e, considerando o uso ocasional de canudos, o risco direto à saúde humana pode ser limitado, embora contribua para a carga química total que uma pessoa acumula.
Para quem busca evitar completamente esses compostos, existem alternativas mais seguras e sustentáveis. A escolha ideal depende da preferência e da necessidade de cada um. As opções mais populares são:
- Aço inoxidável: são duráveis, reutilizáveis e fáceis de transportar e limpar.
- Vidro: higiênicos e elegantes, permitem ver o interior, facilitando a limpeza.
- Bambu: uma alternativa natural, biodegradável e leve, mas que exige mais cuidado na higienização.
- Silicone: flexíveis e macios, são uma ótima opção para crianças e para quem prefere uma textura menos rígida.
Além dessas opções, a solução mais simples e totalmente livre de riscos é beber diretamente do copo ou da xícara, eliminando a necessidade de qualquer tipo de canudo.









