A imagem de uma “Terra batata”, com formas irregulares e cheia de ondulações, divulgada pela Nasa, revela um fato surpreendente: a força da gravidade não é a mesma em todos os pontos do planeta. Esse modelo tridimensional, conhecido tecnicamente como geoide, é resultado de 15 anos de medições de 19 satélites, incluindo dados de missões como GRACE e GOCE, e ilustra visualmente as variações do campo gravitacional terrestre, que são influenciadas por uma complexa distribuição de massa.
Diferentemente do que se aprende na escola, a Terra não é uma esfera perfeita. Seu formato é mais próximo de um esferoide oblato, achatado nos polos e mais largo no Equador. Essa característica, por si só, já faz com que a gravidade seja ligeiramente mais fraca na linha do Equador, pois esses pontos estão mais distantes do centro de massa do planeta.
No entanto, a principal causa das variações mostradas no modelo da Nasa está na distribuição irregular de massa sobre e sob a superfície. A gravidade depende diretamente da massa, então, onde há mais massa, a atração é mais forte. Regiões com grandes cadeias de montanhas, como o Himalaia, exercem uma força gravitacional maior do que áreas com fossas oceânicas profundas.
O que causa as diferenças no campo gravitacional?
Além da topografia visível, a densidade das rochas e o movimento do magma no manto terrestre também desempenham um papel fundamental. O fluxo constante de material quente e denso no interior do planeta altera a distribuição de massa de forma contínua, criando flutuações no campo gravitacional que só podem ser detectadas por instrumentos de alta precisão.
O modelo da “Terra batata” exagera essas variações em cerca de 10.000 vezes para facilitar a visualização. As áreas em vermelho e amarelo representam regiões onde a gravidade é mais forte que a média, enquanto os tons de azul e verde indicam onde ela é mais fraca. Essas anomalias gravitacionais não são sentidas por nós no dia a dia, pois as diferenças são mínimas, com a gravidade variando aproximadamente 0,7% entre os diferentes pontos da superfície terrestre.
Apesar de imperceptíveis para os humanos, mapear essas variações é crucial para diversas aplicações científicas e tecnológicas. Dados precisos sobre a gravidade são essenciais para manter satélites em órbita, garantir o funcionamento correto de sistemas de GPS e estudar as correntes oceânicas e o aumento do nível do mar, fenômenos diretamente influenciados pelo campo gravitacional da Terra.










