No Brasil, a decisão de se tornar um doador de órgãos passa por um passo fundamental que vai além da vontade individual: comunicar a família. A campanha Setembro Verde, em alusão ao Dia Nacional da Doação de Órgãos (27 de setembro), reforça a importância desse diálogo, já que a legislação atual exige o consentimento familiar para que a doação seja efetivada, independentemente do desejo expresso pela pessoa em vida.
Mesmo que alguém tenha manifestado a intenção de doar, a palavra final é sempre dos parentes mais próximos. Essa medida busca proteger as famílias em um momento de luto e garantir que a decisão seja consensual. Por isso, a conversa prévia se torna a ferramenta mais eficaz para assegurar que seu desejo seja respeitado.
A família tem a palavra final
A legislação brasileira determina que a autorização para a doação deve ser concedida pelo cônjuge ou por parentes próximos, como pais, filhos e irmãos. Antigamente, a informação de “doador de órgãos” podia constar na carteira de identidade, mas essa prática foi abolida pela Lei nº 10.211, de 2001, e não tem mais validade legal. Hoje, o que prevalece é a autorização familiar documentada após a confirmação da morte encefálica.
Sem essa conversa clara, muitas famílias, abaladas pela perda e incertas sobre a vontade do ente querido, acabam optando por não autorizar o procedimento. A taxa de recusa familiar no Brasil ainda é um grande obstáculo, resultando na perda de doações que poderiam salvar várias vidas e aumentando o tempo de espera nas filas de transplante em todo o país.
Como manifestar o desejo de ser um doador de órgãos
O primeiro e mais importante passo é ter uma conversa clara e aberta com seus familiares. Explique os motivos da sua decisão e deixe claro que, caso algo aconteça, você gostaria que eles autorizassem a doação dos seus órgãos e tecidos. Isso alivia o peso da decisão em um momento difícil.
Foi lançada a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO). Trata-se de um documento digital oficial, realizado em cartório, que formaliza sua vontade. O registro fica disponível no Sistema Nacional de Transplantes e pode ser consultado pelos profissionais de saúde. Embora não substitua a autorização familiar, a AEDO serve como uma forte evidência do seu desejo.
O que pode ser doado
A doação pode ocorrer de duas formas principais: de doadores falecidos, após a constatação de morte encefálica, ou de doadores vivos, no caso de órgãos duplos ou partes de órgãos que podem se regenerar. Veja o que pode ser doado:
- Órgãos: coração, pulmões, fígado, pâncreas, rins e intestino.
- Tecidos: córneas, pele, ossos, válvulas cardíacas, cartilagem, medula óssea e tendões.
Um único doador pode salvar ou melhorar a qualidade de vida de até oito pessoas. Em vida, é possível doar um dos rins, parte do fígado, parte do pulmão ou medula óssea para familiares. Para não parentes, a doação exige autorização judicial e não pode comprometer a saúde do doador.










