O valor que você paga ao abastecer o carro no posto de combustível muda com frequência por uma razão principal: o preço da gasolina no Brasil está diretamente ligado ao mercado internacional. Dois fatores são decisivos nessa conta: a cotação do barril de petróleo e a taxa de câmbio do dólar. Entender essa relação ajuda a prever as variações na bomba.
A política de preços da Petrobras, principal refinadora do país, considera referências do mercado global em sua estratégia comercial. A empresa não segue mais oficialmente a política de Preço de Paridade de Importação (PPI), adotada em 2016 e encerrada em maio de 2023. No entanto, os valores internacionais do petróleo e a taxa de câmbio continuam exercendo forte influência sobre os preços praticados nas refinarias.
Como o preço do petróleo afeta a gasolina?
A gasolina é um derivado do petróleo. A Petrobras utiliza como referência a cotação do barril tipo Brent, negociado na bolsa de Londres e que serve como padrão para o mercado global. Quando eventos internacionais, como conflitos ou decisões de grandes produtores, aumentam a demanda ou reduzem a oferta, o preço do barril sobe.
Com a matéria-prima mais cara, o custo de produção nas refinarias brasileiras também aumenta. Esse reajuste é, invariavelmente, repassado na cadeia de distribuição até chegar ao consumidor final nos postos de combustíveis.
E onde o dólar entra nessa história?
Toda a negociação do petróleo no mercado mundial é feita em dólar. Isso significa que, mesmo que o preço do barril permaneça estável, uma alta da moeda americana frente ao real encarece a importação do insumo ou do próprio combustível. A Petrobras precisa de mais reais para comprar a mesma quantidade de produto, um custo que também impacta o preço final.
Por outro lado, uma queda do dólar pode ter o efeito contrário, barateando o custo em reais e abrindo margem para uma possível redução de preços nas refinarias, caso o valor do petróleo também colabore.
É importante lembrar, contudo, que o valor na refinaria é apenas uma parte do total. O preço final na bomba é uma soma de vários componentes:
- Realização da Petrobras: a parcela que sofre o impacto direto do dólar e do petróleo.
- Impostos federais: como PIS/Pasep e Cofins, que podem ter suas alíquotas alteradas pelo governo.
- Imposto estadual: o ICMS, principal tributo sobre o combustível, definido por cada estado.
- Custo do etanol anidro: que, por lei, é obrigatoriamente misturado à gasolina em um percentual estabelecido pelo governo federal.
- Custos e lucros: das distribuidoras de combustível e dos postos de revenda.






