O ataque a uma veterinária terceirizada por um cão do Senado Federal em Brasília, ocorrido na última terça-feira (18), que deixou a profissional em estado grave, acende um alerta sobre os riscos específicos enfrentados por quem atende animais de trabalho. A vítima foi mordida no pescoço, passou por cirurgia e está internada. O incidente reforça que cães farejadores e de segurança, essenciais em operações policiais, possuem um comportamento distinto de animais de estimação, exigindo protocolos de segurança rigorosos durante qualquer procedimento clínico.
Diferentemente de um pet, esses cães são treinados para atuar em situações de alta pressão. Raças como o pastor-belga malinois são selecionadas por sua energia, inteligência e instintos apurados. O treinamento intensivo os ensina a responder a ameaças, e o ambiente de uma clínica veterinária — com cheiros desconhecidos, contenção e dor — pode facilmente ser interpretado como um cenário de perigo, ativando uma resposta defensiva.
O limiar de estresse desses animais é diferente. Um procedimento simples para um cão doméstico pode ser um gatilho para um cão de trabalho, que associa a manipulação física e o desconforto a uma situação de confronto. A mordida, nesse contexto, pode não ser um ato de agressividade pura, mas uma reação treinada para neutralizar o que ele percebe como uma ameaça.
Protocolos de segurança com cães farejadores são essenciais
Para mitigar os perigos, a colaboração entre a equipe veterinária e o condutor do animal é fundamental. O condutor conhece os sinais de estresse do cão e seus comandos de controle, sendo a principal ponte de segurança durante o atendimento. A sua presença e orientação são indispensáveis.
Algumas medidas são cruciais para garantir a segurança de todos:
- Uso de focinheira: deve ser um procedimento padrão e obrigatório antes mesmo de iniciar qualquer exame físico, independentemente do comportamento que o cão apresente no momento.
- Comunicação clara: a equipe veterinária precisa conhecer o histórico de treinamento do animal, incluindo possíveis gatilhos e comandos específicos.
- Ambiente controlado: a sala de atendimento deve ser calma, com o mínimo de pessoas possível e sem movimentos bruscos ou sons altos que possam aumentar a ansiedade do cão.
- Sedação preventiva: para procedimentos mais complexos ou que possam causar dor, a sedação deve ser considerada como primeira opção para garantir a segurança da equipe e o bem-estar do próprio animal.










